NANOCONTO

Dez anos. Suas ferramentas foram deixadas todas no paiol, uma ou outra no campo, mas limpas, polidas, em ordem.

Calipso não disse nada, não importa o que a Odisséia cantou.

E disse Odisseu às servas divinas: adeus Io, adeus Agave, adeus, e elas o beijaram nos lábios e na testa. E algumas choraram. Odisseu certamente chorou.

Calipso pôs-lhe mesa farta, presidindo com gravidade, servindo pessoalmente seu vinho, untando seu rosto. A noite fizeram amor pela última vez e Odisseu beijou e sugou seios de deusa, acariciou uma bunda firme e eterna, penetrou uma boceta cheirando a ervas. A primeira ereção latejante em anos experimentou uma divina boca.

Pensarás em mim, meu Odisseu? Por alguns anos, por alguns anos. Depois terei o que todo homem tem: uma tumba espargida com vinho e mel.

E tua Penélope? Odisseu cheirou seus cabelos, profundamente.

E na jangada, já longe da rebentação, se pensou com carinho na ninfa, pensou também no fastio.

Ítaca, disse sorrindo.

CALYPSO

Não é Calypso. Nausicaa.

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