O TEMPORA, O MORES

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Metropolis – Fritz Lang

Os tempos. Ah, os tempos. As redes sociais, os veículos com piloto automático e retrovisores em forma de tela que nos mostrarão a localização exata do mendigo que nós atropelaremos. Os tempos, as redes sociais. Onde nem sequer mais digitamos, copiamos. Os tempos. Onde podemos prever sem tristeza o fim da conversa e o começo de um eterno assistir, visual, nada trabalhoso. As redes sociais e os tempos, onde poderemos odiar a vontade e sem medo.

As redes sociais onde falaremos contra as redes sociais.  Eu sinto falta de um Jesus digitando em alguma espécie de feicebúqui celeste. Os tempos. Onde marcaremos compromissos para pancadaria, onde mendigaremos um “láiqui”. Um “láiqui” peloamordedeus! “Láiquis”, me dêem “láiquis” para que eu me sinta mais vivo. Por favor, um “comentário” peloamordedeus. Um “comentário” exaltando a minha inteligência e a minha agudeza de espírito para que eu me sinta menos só.

Aviso aos interessados: estou vendendo minha verve, minha picardia, meu senso crítico…bem, bem baratinho.

E estou deixando minha casa de Passárgada porque descobri que o rei não é meu amigo e já tenho amigos, obrigado, não preciso do rei. É isso.

Corintiano, Voador por escolha, natural de Cabul, morador de Clevelândia, obstetra e ajudante geral, escreveu.

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