O cretino, este esteio da civilização

Como reconhecer o cretino? Relativamente fácil: o cretino é dado a ter certeza de tudo e gosta de sobre tudo opinar. Melhor ainda se não entender do assunto. Ele, o cretino, não pode evitar: é um cretino, pois não? O cretino entra na conversa onde não foi chamado, toma intimidades, aí dispara uma sandice qualquer como se fosse a filosofia última.

De vez em quando procura dignificar a merda que lhe sai da boca com um “eu estava lá”, “eu estava no jantar”, “eu conheci o deputado pessoalmente”. O cretino, se sociólogo, irá lhe dar aulas de sociologia; agora, se for motorista de caminhão, também irá dar aulas de sociologia…a sociologia de bar, aquela que salva o mundo! É cruel o cretino…

Podemos ainda discernir dois outros tipos de cretino: um, fala aquele “patois” ininteligível do tipo “sabe aquela parada lá”; “demo umas porrada”, “tipo assim tá ligado?”. O outro, é pior, se mete a falar o que ele acha que é um português sofisticado. É o citador, por excelência: “noventa por cento dos brasileiros não sabem votar”, “os negros são mais preconceituosos que os brancos”, “o povo só serve para ser enganado”; com o que subentende-se que o cretino sabe votar, entende de relações intrarraciais e é consciente politicamente.

E aí? E aí nada, você ouve o cretino, que é prá isso que você tem ouvidos…e se ele parar por aí, considere como uma vitória e mantenha o seu santo silêncio. É perigoso o cretino…

O cretino é uma necessidade. Sem ele, o mundo não teria parâmetros. Falo a propósito de ontem, dia santo, onde tive oportunidade de estar entre dois cavalheiros: um totalmente embriagado. E havia o outro, este sim não tinha desculpa, era cretino mesmo.  Não obstante os diferentes estados de consciências, me disseram praticamente as mesmas coisas: doutrinaram, me explicando qual o melhor governo (que não é, claro, o atual). Alargaram meus horizontes mentais, discorrendo sobre política, principalmente no bom que seria se voltasse uma ditadura novamente aí sim eu queria ver, porque meu pai viveu durante a ditadura e não viu nada de mais e naquela época sim tinha respeito. Moralizaram, fazendo-me ver as corretas condutas, os melhores procederes. Finalmente, bondosos, me apresentaram a Deus.

Pois é. O cretino.

Acho que perdoo o imbecil movido a álcool, mas não o imbecil “in natura”, já nascido assim e evoluindo para ser cretino e destinado à cova ainda como cretino.

Mas. E ainda. Entretanto.

Necessário se faz o cretino, é fundamental (se me perdoam o trocadilho Rodrigueano).

Mas como é chato…

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