FAKE AND ROLL

INNISFREE CAPAUM_1

Os álbuns que não aconteceram

Os álbuns que não aconteceram

Finalmente, a famosa entrevista do INNISFREE ao ROCK´OL´ROCK.

Esta é a primeira parte. Breve, talvez, o resto. Consegui o número de dezembro de 2009 (infelizmente a revista só duraria mais dois números). A tradução é minha e de Valtencir Osama, meu fiel escudeiro londrino.

ROCK´OL ´ROCK – Entrevista

Os álbuns que não aconteceram

INNISFREE ou

Muito mais que uma pequena banda de garagem. Uma banda de garagem média, para falar a verdade

Por  Cailean Fraser

Tá, encontrei os caras num pulgueiro que passa por pub lá no East End: “isso aqui tem história, cara, os melhores fodidos do planeta vieram prá cá”, Roy “Skip” Rao, depois do terceiro gole no segundo copo. Bem, East End eu disse e lá estavam todos os caras, adiantados pro encontro, tão adiantados que suspeito que dormiram no lugar. Nenhum sinal do empresário, ou pelo menos, do cara prá quem telefonei e se apresentou como empresário.

De qualquer forma, ali estavam os caras, o INNISFREE. Talvez você não tenha ouvido falar. Quase ninguém ouviu, quer dizer, quase ninguém que não seja um obsessivo profissional por bandas novas, mas a revista não se chama ROCK´OL´ROCK de graça, certo?

Um pouco de história, crianças, o INNISFREE surgiu na cena inglesa em 2009: Nuada Krugman, vocal e guitarra;  Roy “Skip” Rao, percussão e berros; Manny Rodriguez, baixo; John “Jr.” Tripa, segunda guitarra e Jo-Ri Leblanc, teclados e miados. Ou traduzindo: um escocês, um inglês de origem indiana, um americano de origem mexicana, um neo-zelandês e um canadense e um som que não decidiu ainda a que veio. As vezes parecendo grunge, mas aí aparecem umas levadas de rock pesadão das antigas, trash, jazz, ritmos latinos, coisas do oriente, e parece que não vai acabar.

A entrevista abaixo, bem, não garanto que cobriu tudo que foi dito, é mais um extrato do que sobrou na memória depois que a ressaca foi embora e o pouco que restou no gravador. Todo caso, aproveitem.

Rock´Ol´Rock:  Afinal, qual a levada da banda? Do jeito que vem, tá faltando pouco para a ópera.

Roy: Eu não descartaria a ópera, irmão, não tão cedo…(risos).

Nuada: Nem o trash latino, curto…

Rock´Ol´Rock: Sei, que tal umas apresentações de todos, nome completo, essas coisas? Nuada? Aliás, é esse mesmo o teu nome?

Nuada: (risos) Nuada. Nuada mesmo. Nuada Robert Krugman, minha mãe era fissurada em folclore celta, ficou Nuada. Ficava puto quando era moleque.

Rock´Ol´Rock: Vai, fala aí de você.

Nuada: tem muita coisa não. Pai escocês, mãe americana. Meu pai era consultor aí de uma dessas multinacionais, minha mãe professora. A gente, minha irmã e eu, a gente passou a infância viajando por tudo que é lugar, a gente…aliás, eu peguei o sobrenome da minha mãe e minha irmã o do meu pai. Meus pais eram…são…assim, modernosos.

Rock´Ol´Rock: Ceridwen? Sua irmã?

John: é, a senhora Tripa, a mulher mais compreensiva do mundo (“cara, vai sair desse jeito?”).

Nuada: Ceridwen. Minha mãe ficava dizendo prá todo mundo “é KERIDWEN, a pronúncia é KERIDWEN.

Rock´Ol´Rock: Roy?

Roy: deixa eu ver, tem pouco também. Família indiana, terceira geração na ilha, já nem tem mais mercearia, essas coisas de indiano. Meu pai é funcionário público, minha mãe é professora. Ela queria que eu fosse músico, acredita?, mas músico erudito, essas coisas…, me botou até prá estudar piano com uma professora particular.

Rock´Ol´Rock: tipo Madame Sousatzka?

Roy: é, mas era francesa, não russa e exigente, cara, como me enchia a velhota.

Manny: e daí foi virar baterista, tudo a ver.

Rock´Ol´Rock: como foi no hot like oxygen?

Roy: foi “quente como nitrogênio líquido”. Eram uns caras legais, a gente se dá bem até hoje, mas eles não curtiam umas jogadas minhas, uns instrumentos que eu queria tocar, músicas que eu queria fazer…

Rock´Ol´Rock: você tocava aquela flauta africana, como é que chama?

Roy: Rhaita, mas só uma vez ou outra. Mas foi legal minha parada, assim do jeito babaca que foi.

Rock´Ol´Rock: Manny?

Manny: bem, deixa eu ver. California, filho de mexicanos meio classe média, até se falava inglês em casa, essas coisas.

Rock´Ol´Rock: fala aí o teu nome completo.

Manny: cara, pergunta o nome do Roy. Isso sim é que é nome. Fala aí, Skip.

Roy: Anathroy Venugpala Rao, repete!

Manny: Viu? Agora o meu é Manuel  Rodriguez y Cassidy.

Rock´Ol´Rock: Cassidy?

Manny: da família da minha mãe, algum irlandês aí na parada, só que ninguém tem nenhuma informação sobre o cara na família. Bem, pelo menos não tenho cabelo vermelho. Muito sangue índio, eu acho.

Manny: Continuando, California, depois fui por aí. Tinha acabado a universidade do jeito que a minha mãe queria, depois Inglaterra e entrei prá banda a convite do Roy…

Roy: ele tava precisando de ajuda, sozinho, morando com parente, a gente tem ajudar os mexicanos…

Nuada: só queríamos o bem dele (risos). E ele baixista e a gente…

Roy e Manny juntos: …tava precisando da porra de um baixista.

Rock´Ol´Rock: John, sua vez.

John: neozelandês, com um pouco de sangue Maori, mas a família não gosta muito de espalhar. Meu pais têm um comércio, um desses mini-mercados. Eu vim prá Londres porque era péssimo em matemática, ruim como comerciante e só sabia tocar guitarra. Aí eu casei…casei com a mulher mais compreensiva do mundo, tá ouvindo, amor?, casei…

Todos, rindo: …e Nuada me convidou prá banda, só porque eu já era parente.

Rock´Ol´Rock: Nuada é uma divindade celta?

Nuada: é, mas minha mãe é judia.

Rock´Ol´Rock: por que Never Fight An Inanimate Object?

Nuada: a gente achou a frase no GOOGLE, o Roy fez a música e eu a letra…

Rock´Ol´Rock: mas lá tá Lang e Cohen…

Roy: foi uma piada, foi registrado assim na editora, a gente achou que ficava legal…

Nuada: a gente tava é bêbado…

Roy: agora, bem, que fique registrado nos autos que pode ser, é até capaz que a gente estivesse um pouquinho alto…

Rock´Ol´Rock: e INNISFREE?

Jo-Ri: Google também, um poema de William Butler Yeats.

Manny: mas tem o filme também, o Quiet man, com John Wayne…

Rock´Ol´Rock: sei. Vai, Jo-Ri, sua vez. Aliás, Jo-Ri é o que, apelido, marca de remédio?

Jo-Ri: apelido, de infância. Edouard Marie Alphonse Leblanc. Vamo lá, canadense, quebecquois, tecladista. Meu pai era corretor de seguros. Aliás também já fui. Minha mãe é médica. O de sempre, toquei numa banda, Plastique Éphémère

Rock’Ol’Rock: não parece nome canadense…

Jo-Ri: o que?, plastique…?

Muita confusão, risadas e não dá prá se tirar nada do gravador.

Roy: Não parece porra nenhuma (rindo).

Rock’Ol’rock:  tô falando do teu nome…parece personagem de romance francês do século XIX…

Jo-Ri: meu nome, porra!

Rock´Ol´Rock: e esse papo de MEOW?

Jo-Ri: é uma piada desses porras aí. O negócio é que eu tinha, tenho ainda um toque de celular especial pro meu filho…

Rock´Ol´Rock: Você tem filho?

Jo-Ri: é…super-garoto. Mas então tinha esse toque que imitava o miado de gato…

Roy (rindo e alterando a voz): MIAAAAAAUUUUUU……

Jo-Ri: não falei?

Nuada: mas nós o amamos mesmo assim (risos).

Manny (rindo): é, mesmo parecendo uma coisa meio “emo”.

Roy: suspeita…

Nuada: muito suspeita…

Tripa: mas muito meiga, cara…tamos falando de um pai amoroso.

Jo-Ri (fazendo um gesto obsceno): sei…

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