UM COLECIONADOR COLECIONA SENÃO NÃO SERIA COLECIONADOR É O QUE EU ACHO

De quem...?

De quem…?

Ainda não me esqueci. Eles estão todos lá, os momentos, os esqueletos, preservados em gel de teimosia. E enumero:

E houve 1978, que foi um bom ano, me lembro bem.

As moças estavam especialmente bonitas e eu me formava no, como é que se chamava?, no ginasial. Tempos de antanho, onde os pássaros e os corintianos voavam. E havia Adoniram e Elis, cantando no Bar da Carmela, no Bixiga.

E existiram os meus doze anos e Já ninguém se lembra de Debra Paget.

Eu lembro, nos masturbatórios filmes que passavam de madrugada, em tempos idos. Um de meus mitos eróticos: bela, elegante e bem construída. Lembro de um filme antigo, de Fritz Lang, com quem Paget trabalhou em 1959.

Como a censura dos estúdios deixou passar Debra dançando daquele jeito, nunca vou entender!

E o que pensar de priscas épocas, onde não sobrava nenhuma outra forma de apreciar a sacanagem que não fosse nas histórias em quadrinhos de Carlos Zéfiro?

Os catecismos.

Neles, Zéfiro, funcionário público, passeava por todo o rol das safadezas dos Brasis: viúvas, freiras, devassas, ciganas, virgens. Toda uma época.

E ouvir Tom Zé cantando Puta Que O Pariu.

E ouvir No piense menguilla ya / que me muero por sus ojos / que he sido bobo hasta aquí  /! y no quiero ser más bobo ¡ / oh que lindo modo para que la dejen unos por otros!

Os Tonos Humanos de José Marin (sugiro Yoko Sugai, soprano e a guitarra barroca de Jacopo Gianninoto).

E ainda: Alain Cuny, como o demônio Gilles, cantando Démons et Merveilles no Les Visiteurs du Soir, que proibidamente assisti, de madrugada, numa valvulada preto e branco.

E ainda: O Leão No Inverno  na maravilhosa versão original, com Peter O´Toole e Katharine Hepburn, entre outros. Uma aula de cinema e um desempenho denso e fascinante de dois atores completos.

Os duelos verbais entre O´Toole, como o rei Henrique II e Hepburn, como Eleanor de Aquitânia já valeriam como indicação.

E ainda: A cena do filme La Mesa del Rey Salomón, de Carlos Saura, onde a maravilhosa Estrella Morente, numa homenagem cinéfila a Federico Garcia lorca, canta Los Cuatro Muleros.

E esquisitices como Raumpatrouille Orion, uma série televisiva de ficção científica alemã, dos anos 60.

Foi baseada numa série de livros de bolso editados pela Erich Pabel-Verlag.  Recuperei recentemente os vídeos, graças ao YouToba.

No Brasil chegaram a ser lançados alguns dos livros, sob o nome Espaçonave Órion, pela Ediouro.

E Jackson do Pandeiro cantando Xexéu de Bananeira?

Ó, menina bonita não dorme na cama / Dorme na limeira, no colo da rama /  Meu xexéu de bananeira / Cajueiro abaixa a rama

Uma lágrima teima em sair de meus idosos bulbos lacrimais.

O outrora antigamente, o tempo passado que já foi, o antanho. O de sempre.

É um bumerangue. Tecnologia australiana.

E eram os dias de vinho e rosas.

Agora sim: é só isso!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s