O CINTO DE INUTILIDADES: A VOLTA AO COLECIONADOR

ALMANAQUES

As reuniões, ocasiões agradáveis em que pessoas de escol partilham graciosas conversações, onde a tônica é o bom gosto, a fineza de maneiras, a boa música. Ocasiões em que um cavalheiro pode apreciar o belo, ocasiões para se recolher ditos de espírito.

E então o encontrei, aniversário dele, todo mundo ali. E conversamos.

E bebemos e conversamos, eu e ele, que me ensinou o que são pacovares, que me apresentou a Mishima e que adorava gordas, embora seja magérrima a esposa.

E então montamos a lista de pequenas informações inúteis, nosso próprio almanaque.

Sim, o Cinto de Inutilidades. Novamente.

Segue, com lacunas, em estilo de ABC do cordel:

A de Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé, editor do A Manha, dedicado cultivador dos horóscopos biônicos e quadrados mágicos. Lembramos pelas porradas que levou de oficiais da Aeronáutica por uma piada ou outra, que militares parecem não ter senso de humor. Não teve dúvidas, convalescença acabada, postou o aviso à porta do escritório: Entre Sem Bater.

B de Benício. Um dos maiores ilustradores de todos os tempos (nas humílimas opiniões dele e minha), José Luis Benício. Gaúcho de Rio Pardo, foi o autor das inesquecíveis capas dos pocket books da espiã Brigite Monfort, além de inúmeros outros trabalhos em cartazes de filmes, na publicidade e por aí vai. Mas, e principalmente, como Milo Manara, Benício desenhava mulheres como o bom gosto de quem…bem, gosta delas. Uma qualidade notável. E B de um sibilante Bob Fosse, a serpente, no “Pequeno Príncipe”. O filme, esclareço. “Snake in the grass”. Apenas uma picada…

C de cata você mesmo aí um feito.

D de Dunha, também Saroba, colega de ginásio e trapaceador contumaz no Jogo da Forca.

E de “entendi nada, não” com que premiávamos nossa professora de matemática.

F de “foda-se”, nosso mote favorito quando acabavam juntos a cerveja e o dinheiro. E F de Fátima, a mutante, história em quadrinhos de safadeza de Emir Ribeiro. Fez extraordinário sucesso nos anos setenta. Não me recordo da editora, mas lembro das histórias. Tinha de tudo, crítica social, ficção científica, racismo, bom-humor e muita, muita safadeza.

G de Garibaldo, com o impagável Laerte Morrone. Dizem que a fantasia não tinha buracos para os olhos. Atuação cega é isso aí.

H de Hilda Hist, autora do Ficções que compramos na livraria do Belas Artes, acho. Só sei que tinha uma senhora de branco, incenso e música indiana. Mas valeu por conhecer Hilda, a Hist.

I de Indiara, puta maranhense em fim de carreira a quem pagávamos cachaça só prá ver sua maravilhosa declamação de Navio Negreiro.

J de Juvenal, que ousava ostentar este nome e ainda ser garçom de puteiro. Um clichê sobre duas pernas e dois incansáveis e batidos sapatos Vulcabrás.

K de não tem K.

L de Luculo a mesa os convivas, num ágape festivo congregara, poema de Campos Lara, d´o Feijão e o Sonho de Orígenes Lessa.

M de Marambaia. Alguém tinha uma casinha lá.

N de Notícias Populares. Se houve um jornal que deixou saudades em milhares de leitores fiéis, com certeza, este foi o finado Notícias, que entre seus furos exclusivos encontram-se manchetes como: “Broxa torra pênis na tomada” ou “Deu a bunda para salvar a vida”, sem esquecer as coberturas orgiásticas do carnaval e a criação de lendas urbanas como a Loira do Banheiro, que já beira os cinquenta anos assombrando os desavisados escolares em todo o Brasil.

O.

P de Philippe Clay, o sujeito que cantava Le Noyé Assassiné como uma metralhadora na casa noturna das bruxas no Bell, Book and Candle, estrelado por Kim Novak.  E P de Puff `n´ Stuff, filme inglês que gerou uma série. Há o número musical das bruxas (ói outra), cantado por uma fantasiada “Mama” Cass Elliot, do Mamas and Papas. A música, Different. Anos sessenta. Lisérgicos, “camp”.

Q.

R.

S.

T.

U.

V de Sacred Cow, os Vacas Sagradas. Os Vacas Sagradas eram os Vacas Sagradas e fim de conversa. Hoje acompanho emocionado, pelo YouToba, Barbara Feldon e Don Adams, do seriado Agente 86, Get Smart, dançando ao som da banda demoníaca.

X.

Y de Yvone Craig. A melhor Escrava Verde de Órion e a melhor Batgirl que já se viu. E tinha até a musiquinha escrota e viciante: Batgirrrl, Batgirl! Batgirrrl, Batgirl! / Where do you come from, where do you go?

Z de Zéfiro. Z de catecismo. Z de putaria.

Agradecido, A. S. O.

É isso.

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2 comentários em “O CINTO DE INUTILIDADES: A VOLTA AO COLECIONADOR

  1. Você aprendeu, sabe o significado? Inveja. Meu amigo me ensinou a expressão, deliciosa: “não me enche os pacovares” ou, mais certo, “não em enche os pacová”. Já ouvi todo o tipo de teoria, sobre a planta que não suportaria o calor, daí “não esquente os pacová” e que se confundiu com “não me enche”, e muito mais. O meu amigo, que tem em baixa conta a etimologia, só me mandava não encher os pacovares dele. Abraço.

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