Orifícios, cálices, sulcos na madeira, buracos cheios de água

Abraxas -  by Lemmy X (Deviantart)

Abraxas – by Lemmy X (Deviantart)

Filosofia: “Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar”, “conhece-te a ti mesmo”, “penso, logo existo”, “Deus está morto”.

Os homens consertarão um dia o planeta, o tornarão mais palatável para um cavalheiro: esta é uma nobre esperança que deveria, deverá ser acalentada com fervor em todo coração sensível.

Não, não falo de reforma moral, tediosa para dizer o mínimo. Falo de retocar os rios, abrir bulevares, construir sólidas instituições destinadas às artes figurativas, nomear e dominar às bestas.

Falo de subir aos céus e mecanizar o trabalho de rolar a rocha de Sísifo.

Falo de fruir de nossa herança. Medindo e dando valor. Desmistificando a topografia do vazio.

Não será mesmo impossível que nestes tempos de maravilha o homem atinja mesmo um estado, um comportamento  pautado pela superioridade ao meramente moral?

E que terrível será o homem e a época!, potente eliminador da fétida influência que coloca fé, esperança e caridade, a persecução do bem, enfim, como ideais a serem alcançados.

Estaremos plenos de outros significados fundamentais, diante de nossos narizes e abaixo de nossos pés.

Faremos a apologia do Mal (mas lhe daremos nome mais suave), dos propagadores de incêndios, do descomedimento, dos esquecedores que mergulham sempre nos mesmos rios e nunca ouviram ao tempo de cada ser. Nunca pensaremos (Não queremos pensar).

Obliterar as estrelas. Nosso coração será máquina e com ele eliminaremos a vergonha. Teremos técnica, sexo e posse. Amaremos o belo sem moderação, filosofaremos com timidez.

O homem superior será o homem bem-educado, o estádio superior será reconhecido pelas boas maneiras, o tipo ideal receberá loas dos medíocres de plantão.

Nem intuição, nem memória, mas enumeração.

O tempo não será mais governo de crianças, mas um insumo.

Evidente que seremos brancos e bons.

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9 comentários em “Orifícios, cálices, sulcos na madeira, buracos cheios de água

  1. As vezes me pergunto “pra onde vamos?” Em outros momentos me pergunto “será que vamos?” Enfim, acho que nos limitamos por algum tipo estranho de satisfação, é a única conclusão que chego quando espio certos senhores. rs

    bacio

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