ARCHIVO AVOADOR: MODO DE USAR

 
Dragon Writer - by 25kartinok - DEVIANTART

Dragon Writer – by 25kartinok – DEVIANTART

Para que serve o Archivo Avoador?

Basicamente, para nada. Tem a vantagem de ser fantasmal e não enche o saco, não perturba ninguém com uma materialidade, assim, importuna.

Mas serve. Prá alguma coisa. Para testes, serve para testes. Testes com gêneros textuais, para esticá-los, inverter sinais, usar o jargão de uns em outros, ver se é possível reinventar a roda.

Certa vez, quando Jesus ainda andava pelo mundo, abri uma edição da Paixão Segundo GH, de Clarice e lá estava ela, citada na orelha: “gênero não me pega mais”. Não vou discutir aqui se Clarice conseguiu ou não, talvez quase.

A coisa é que o mal-estar do gênero é preocupação de todos os que algum dia vão escrever, inclusive eu e você.

O romance tem saída? O conto? Alguma coisa virá em seu lugar? Existem gêneros menores? E a poesia? O que significa, hoje, deixar-se levianamente ler um poema? É quase obsceno. É obsceno. Antinatural a coisa toda, a palavra impressa, para ser lida.

Não é discussão nova. Guimarães Rosa testou os limites dos gêneros e já lá se vão décadas. Convido a uma leitura atenta de Cara-de-Bronze, conto do No Urubuquaquá No Pinhém. Na primeira edição Rosa apresentou o conto (é um conto?) como poema. Mas também, um tratado filosófico sobre o tempo e um relato mítico sobre a demanda da palavra e da criação poética, como escreveu Benedito Nunes, referência obrigatória para a obra de Rosa.

“Verdadeira síntese da concepção de mundo de Guimarães Rosa, onde certas possibilidades extremas de sua técnica de ficcionista se concretizam”. Nunes.

O conto: Segisberto Jéia, o Cara de Bronze, ordena a Grivo, seu vaqueiro, que saía pelo mundo e retorne trazendo os nomes das coisas.

Então, um campo de testes para gêneros o Archivo Avoador. Não precisa muito: o sujeito atrás do teclado com o nickname ridículo (já disse a uma blogueira que poderia ser também Flamenguista Voador ou Atleticano das Alturas, mas certas idiossincrasias devem ser respeitadas).  E o campo, também vasto, de trabalhos de outros tantos blogueiros ao alcance do olho.

É, tenho vos observado, vos lido assazmente, blogueiros outros, irmãs e irmãos meus.  Vi certos escritos, certos modus operandi, certos usos. Alguns mesmo, mesclando, esticando, torcendo os limites dos gêneros.  Opinei, vez por outra. Não opinei, quase sempre, quando não sentia o escrito, quando não o entendia. Vez por outra me pego invejando.

Quem é esse, que escreve? Ele é daqui? É da família do dono?

Estou escutando a sede de vocês. Irmãs e irmãos de pena eletrônica na mão.

Archivo Avoador.

Sei não do autor

Sei não do autor

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11 comentários em “ARCHIVO AVOADOR: MODO DE USAR

  1. Acessar-se a si, mais ou menos como sugeria quem rabiscou o pronaos. Talvez daí, do particular escavado o quanto possível, surja algo um tanto único, próximo do criativo e para além das definições necessárias à percepção e às teorizações dos que buscam por outras vias, na tentativa de sorver o que não é próprio, mas alheio. Viajei. Thanks. Abraço.

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  2. Também já busquei “meu” estilo. Até ver que não era nenhuma novidade. Mas, como resultado da soma, sei bem o valor das parcelas… Logo, reconheço o valor do seu e de outros blogues, sem lhe puxar o saco, porque, se o fizer, você sai voando (risos).
    Abraço

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