QUADRILHA II

bicho

Ana, a avestruz que namorava Henriqueta, a águia, era prima de Caetano, o burro e de Bela Rosa, a borboleta.

Paulo, que era um cachorro, se apaixonara por Cecília, a cabra, que já era casada com João, o carneiro. Jeremias, o camelo, era solteiro e temia a língua ferina de Teresa, a cobra.

Mas ninguém mais medroso de maledicências que Vicente, o coelho, namorado de Anselmo, o cavalo.

Tudo sempre foi uma questão de maior ou menor tamanho, do amor próprio ou da coragem, dizia Clemente, o elefante, refestelado no boteco de Pereira, o galo.

Galdino, o gato, não se manifestava. Antônio, o jacaré, ao contrário, era de muito falar e pouco ver, como bem observou Severino, o leão.

No mais, Chico, o macaco e Baé, o porco, limitavam-se ao poetar tranquilo e à dança jucunda e honesta. Pedro, o pavão acompanhava na rabeca.

Abelardo, o peru, viajara para longe. Pacheco, o touro, correspondia-se com Ananias, o tigre, e tudo o mais parecia caminhar para a rotina.

Os mais sábios foram, talvez, Jacinto, o urso e Maria, a vaca, que se casaram. Teodoro, o veado, apadrinhou.

Anúncios

4 comentários em “QUADRILHA II

  1. Uma questão metafísica, caro desembargador. Por exemplo, por que o hipopótamo é hipopótamo? Foi a pergunta do Altíssimo a Adão (segundo Millôr), a quem encarregara de nomear aos bichos. Resposta de Adão: Senhor, eu nunca que vi um animal com tanta cara de hi-po-pó-ta-mo como o hipopótamo! Ergo, perús são, sempre serão Abelardos. Expliquei-me?

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s