MÁRIO

MÁRIO NA ESBÓRNIA - Montagem de Severino Pelvelso

MÁRIO NA ESBÓRNIA – Montagem de Severino Pelvelso

Mário Quintana nasceu em Brobrowska, Panônia Oriental, atual Bessaróvia, em 30 de julho de 1906, filho de Leonid Mariovitch Quintana e Ekaterina Stoporova. Judeus apostólicos romanos, emigraram para o Brasil fugindo dos pogroms.

Assim, aos seis anos de idade o pequeno Mário chegava a Porto Alegre. De talento precoce, publicou aos doze anos seu primeiro poema, O trolha, no semanário satírico Maragatos e Mequetrefes.

Aos vinte anos, funcionário público da Assembléia Legislativa e jornalista bissexto, deu início a intensa atividade beletrística, produzindo três, quatro, dez obras-primas por dia, como revelou em sua autobiografia Entrevistas com Bucéfalo.

Um homem bonito, atuou  também como ator de fotonovelas. Também famoso publicitário (criador do design e da campanha das Estampas Eucalol) e pedreiro razoável, de suas mãos saíram inúmeras residências da capital gaúcha.

Assim era Mário Quintana. Um homem, um mito de uma época.

Não confundir com o poeta. Muito.

 

Agora, com donaire e sem delongas, pau na moleira!

A obra.

Questões filosóficas Marianas:

Charara Guzula comia?

Pintos eclesiásticos ainda se metem por esconsos escaninhos?

Irrespondíveis.

E então, responda aí: o que é que estoporou a bacurinha, esbagaçou a brabuleta e trombeteou no subilatório? Mário Quintana, é notório.

E quem se esfregou na maravalha, bolinou Neide, palestrou com o chupa-cabras, contemporizou com batráquios e tibungou na correnteza? Mário Quintana, com certeza.

Piscava Mário, o franzido orifício?

Artifício!

Mas então, o que é que irritava o Capitão Kirk, aporrinhava o Dr. McCoy e desconcertava o Senhor Spock? Mário Quintana, indo onde nenhum poeta jamais esteve. E sabia o Mário que o regongar do penico no subterrâneo das camas, também era poesia da melhor qualidade? Mário o sabia, mas não dizia.

Mário, que fez cosquinha no períneo, deu trabalho à periquita, se esmolambou no toitiço, contorceu a rabiola, filosofou com o xibiu, escrutinou a sapucaia e bimbalhou no falanstério.

Mário Quintana, sem mistério.

E quem?

Mário Quintana, oras.

E a escatologia Mariana?

O perigo: o mundo se acabar, mas se acabar em Mários (era o temor de Mário).

As provocações Marianas:

Foi um ato mecânico e repetitivo. De que tipo? O mesmo de um padre rezando a Ave-Maria.

Foi uma surpresa. Que tipo de surpresa? A mesma de um corno de primeira viagem.

Pecaminosamente. Qual categoria de pecado? A mesmo de um noviço se masturbando no claustro.

Com tesão. Que tipo de tesão? O mesmo de uma noviça esperando a visita de Belzebú.

E as frases nonsense memoráveis? Ei-las:

Fé é por os rabos em riste nas tardes invernais! Chute-no-saco bom é chute-no-saco de devoto extático! Cú-de-frango ao molho “bearnaise”! Hiper-blasfêmia na boca de pastor babão! Psico-enterrada no anel de couro! Tecnobimbada! Cacetas satânicas em bocas carmelitas!!! Ginga, Jesus, escanteio!

Mário. Certeiro.

É isso.

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POEMETO 1

Orisha Iansan - by Marhiao - Deviantart

Orisha Iansan – by Marhiao – Deviantart

 

ORIXÁ TAMBÉM É GENTE, SINHÁ

Sempre tive a esperança

De um dia chegar o bom ano

de ter um despacho de rico

disse o orixá aflito

fumando um charuto baiano

de ter espumante famoso

e não sidra vagabunda

de ter um faisão saboroso

e não frango de macumba

CALSE: a sugestão do “chef” para hoje

Sinceramente, não achei a autoria. Aberto a penitências com silício e cinzas e/ou a evntuais retificações ou pedidos de perdão

Sinceramente, não achei a autoria. Aberto a penitências com cilício e cinzas e/ou a eventuais retificações ou pedidos de perdão

http://calse.wordpress.com/.

Anote, vá lá e veja. Descobri dia desses o blog e não sei sinceramente a que veio o Eldas, o blogueiro. Mas recomendo uma visita e uma vista d´olhos nos textos, sempre caóticos, sem nenhuma preocupação com estilo ou quejandos. Mas, tem alguma coisa ali. Não sei o que é, mas tem. No meio da coisa toda, vez por outra, tem umas sacadas, talvez que lisérgicas ou sob o efeito de substância exótica outra. Mas estão lá. Vejam lá, irmãs e irmãos e comentem comigo, dividam comigo.

É a sugestão do “chef” prá hoje. O blog do herbonauta. O caos embalado em papel de bala.

http://calse.wordpress.com/

É isso.

O HOMEM CORDIAL

We're All Mad Here - The Chesire Cat - by Nicky Barkla

We’re All Mad Here – The Chesire Cat – by Nicky Barkla

O receio, o cagaço fizeram de Plácido Aquila Valdez um tipo único. Era um covarde profissional.

Minto, Plácido Aquila Valdez? Não, não mente em absoluto. Sou um covarde, mas detestando o amadorismo como sempre detestei, profissionalizei-me, por assim dizer.

E assim era, por assim dito. Um homem que se retratava a si próprio sem pudores, que dizia o queria sem rodeios pastosos, dando uma clara e imediata ideia de sua personalidade torpe, rasteira, carente de heroísmos e com valores os mais egocêntricos possíveis. Plácido Aquila Valdez viveu toda esta vida indigna com paixão, como um verme eternamente satisfeito em parasitar seus semelhantes.

Minto, Plácido Aquila Valdez? Não, não mente. Me sento com desfaçatez entre os comensais, bisbilhoto suas vidas, os chantageio quando posso, os cubro de elogios falsos se me é útil. E, se me dado fosse me ver de fora, como a um estranho, vomitaria.

Plácido Aquila Valdez elogiava à covardia de forma franca e aberta. Dê-nos um exemplo, Plácido Aquila Valdez! Ora, fácil, quem, me diga, quem se não o poltrão, o pusilâmine poderia ter inventado a estratégia militar? Os valentes são burros demais para qualquer coisa que não marchar à frente da tropa e morrer bem ali, nas linhas de frente.

Plácido Aquila Valdez acreditava também que todos, todos eram, somos, basicamente covardes. Definia a valentia como um atropelo de hormônios gerados pelo medo nos mentecaptos, que lhes dava breves espasmos furiosos. Mas desordenados, convulsivos, unilaterais. Um gozo ordinário, só acessível às alimárias.

É assim mesmo, Plácido Aquila Valdez?

Certamente, uma questão evolutiva. Somente os covardes da espécie prosperam. Infelizmente, se não temos mais valentes, ai de nós, temos ainda os imbecis ensandecidos e a valentia ainda é considerada uma virtude.

Plácido Aquila Valdez desconfiava de santos e moralistas. Mas desconfiava mais ainda de suas criações, principalmente da Tragédia com seus destinos singulares e prodigiosos.

Nos esclareça, Plácido Aquila Valdez!

Esclareço, dou a luz. Notem, quer se trate de Édipo, quer se trate de Hamlet, é sempre o resultado de uma conjunção extraordinária de eventos espantosos. Nenhum deles é figura acessória, mas necessária. Não existe universo exterior, existem ondas de acontecimentos orbitando sua vidas e suas vidas vão extrapolando, absorvendo, fazendo convergir e por fim destroem. Hamlet teria feito melhor se dedicando a uma vida de fodelança com Ofélia e, como bonus, ainda teria Polônio com quem implicar.

Édipo hoje (época de covardes por excelência) escreveria o livro, um mea culpa prontinho para as telas de cinema.

Você é cruel, Plácido Aquila Valdez!

E faço cocô ao ar livre, também.

Experimento em vermelho, azul, ocre e amarelo com toques pequenos de nonsense ou mesmo esquizofrenia

Autoria desconhecida

Autoria desconhecida

Os dias sussurrantes foram notados primeiro pelo anão, amante de Madame Lux, e só depois por nós outros, os “freaks”.

Sorrateiros, começaram aos poucos, com poucas pretensões. Um chiado permanente aqui e ali, mas não irritante, vejam bem! Uso mal as palavras, era mais um sussurro que nos convidava ao devaneio e, quando dormíamos, nos arrastava para lugares mornos, doces e cheios de significado.

O primeiro a perceber foi o anão, eu disse, mas quase imediatamente todos nós dávamos pela diferença na série dos dias que vinham. O anão foi apenas o primeiro que comentou, que teve forças para falar, para por na ponta da língua nossas sensações mútuas, nunca antes sentidas, mas de cheiro forte e íntimo.

Você tem que entender que nosso mundo não era anglossaxônico, não havia dragões voando para o céu, mas havia céu. Não havia druidas, mas não sentíamos falta de feiticeiras, só que as chamávamos por outros nomes. Não havia magos, entretanto. E não havia heróis.

Você tem que entender que não havia montanhas, mas morros e todos cheios de árvores. Não havia Escolas de Conhecimento, mas havia armações de madeira para moquear a carne. Não havia sabedoria e nem Jogos de Avelórios, mas havia algum xadrez e muito dominó. Tínhamos mesmo um excesso de Tegularius e de Designori, para não falar de Beneditinos.

Os dias eram todos completos, plácidos e as plantas passavam sem pressa. Os gatos começaram, lentamente, a poetar. A primeira foi Pagú, como a chamávamos, antes de saber que ela atendia por [__________], o nome impossível que trazia toda sua história e identidade.

“Sou uma gata e um código e me regozijo como uma apreciadora de homens . Sei de mim e apenas rio”, ela disse. E nós anotamos.

As tardes e as noites e as manhãs tornaram-se tão estranhas e únicas que a linda filha inesperada e temporã de Madame Lux e do anão foi por nós recebida e amada, sem estranhamentos.

Os outros “freaks” da trupe, nós, tínhamos nossas razões para cautela com teratologias advindas de partos espúrios, de uniões espúrias, mas simplesmente a aceitamos. Todos os malucos e malucas providos de garras, presas, pelos e estranhezas outras a aceitaram, a ela e suas asas.

Você tem que entender que não era um tempo de antanho, era o seu tempo, o nosso, onde se passaram os fatos.

Morar no céu era bom. Não importava por qual peso ou medida, a sensação era de todos e valia também para Deus. Vistos de perfil, nossos compromissos sumiam à deriva, não esquecidos, mas relativizados, postos no seu lugar. Capitães de sonho desciam das alturas em seu navios de sonho, em suas caravelas e ouvíamos, embevecidos, seus discursos cheios de significado, feitos nas nuvens.

Nossos filhos cresceram e se juntaram às suas tripulações e tudo se resumiu em aventuras, alternância de climas e terras. Viveram eles de hora em hora, no mar só navegado antes por Camões. Em terra, casas nós construímos com peças indiscretas, todo um verão atado em tiras de maravilha ocre e escarlate, com mananciais de pedras viventes escondidas entre os pilares da aurora.

E do amor destilado do fundo de nossos sonhos, recebíamos mensagens como esta:

“Olha, estou bem! Aqui em Katmandu, eu estou mesmo muito bem. Meus pés estão calçados com pantufas amarelas e eu vôo e as rodas de orações giram, giram. E vão continuar girando, até que vocês me dêm atenção, até que vocês estacionem no cume do Chomolungma, o que vier primeiro.”

E coisas aconteceram e por fim terminaram, com os dias pedindo suas contas e se indo. O verão se foi. E só então o escriba, o Amanuense dos Dias chegou até nós.

E o escriba careca, de manto vermelho esvoaçando ao vento gelado, terminou seus apontamentos no pergaminho. Isto é seu… Sorridente, tirou da manga amplíssima um pequeno espelho de metal negro irisado de prata. E isto também e mostrou um amuleto.

O anão estava ali. Nenhum sinal do restante da comunidade (nós respirávamos cuidadosamente atrás do arvoredo) e o anão achou melhor dar por encerrada ali sua permanência.

Entregue o pergaminho com a história aos meninos e meninas que voltarem das nuvens e da aventura, disse o anão, e mostrou o medalhão.

Eu não preciso de amuletos, mas fico com isto pela beleza do artesanato. E tomou do espelho.

Venda-o no mercado, troque-o por uma prostituta, disse o escriba e riu.

Agora, vá!

Selvaggia, Guiscarda, Mandetta, disse o anão (não disse abracadabra).

E ainda Alcyon, Phaeton, Alcmena. E houve um lago providencial e o anão deixou o mundo na forma elegante de um peixe.

Daqueles grandões, trutados e cor de ouro.