PIGNACOLADA PINA CAIPIRIGNA, CIAO CIAO PICCOLIGNA, ME NE VADO DA QUI COL TRAM

CORREMALUCO

Je suis un noyé assassiné

Par un gars qu’un voulais

A mon porte-monnaie

Je n’avais pas un centime

Lui pour cacher son crime

Il me jeta dans l’abîme

 

Philippe Clay, capítulo 18, versículo 4, palavra da salvação

.

.

.

.

A rosa vermelha é do bem-querer. A rosa vermelha e branca hei de amar até morrer.

Tuba mirum spargens sonum, per sepulcra regionum, coget omnes ante thronum.

E a ema gemeu no tronco do juremar.  E também já fui apaixonado por Fátima, a Mutante. Ela era minha e não de Emir Ribeiro! Hoje tenho um blogue.

Retalhos:

Ia colocar um “gosto”, um laiqui aí para o texto. Ia, não vou mais, acho que não é o caso. O próprio ato de “laicar” já seria meio que procedimento padrão previsto e mais que esperado por um Vatula. Me diverti muito com os “kopro´s”, “Carmelo”, “Pepone”, “Mors”, “Arschlecker”, e foi me divertindo que me dei conta de que não é um conto: é um ensaio filosófico (minha primeira escolha foi teológico). Uma pungente discussão sobre a banalidade, sobre o oco, sobre a morte da morte, sobre a ardente necessidade de ser, ter, uma finalidade. Uma discussão circular, esquizofrêncica, uma cobra que morde o próprio rabo. Quanto o capital integralizado é de tal monta deixa de ter valor. A solução então é adquirir valor, qualquer que seja, pelo prazer de desejar e, eventualmente, conseguir. Qualquer coisa, nada. Ah, como Vatula tem pena de Deus imortal.

Démons et merveilles, Vents et marées. Gazainguê… Eu vou tirar você desse lugar! Eu vou levar você pra ficar comigo e não interessa o que os outros vão pensar.

Eu tenho um blogue.

Retalhos:

Ia escrever o lugar-comum de sempre, o “gostei do seu blog”, etc. Vou mais não. Você merece um pouco mais de consideração. Farei diferente, visitarei com atenção o seu blog. Gostei do que escreveu em relação ao seu nome. Achei legal essa postura e você tem razão, muitos nomes são só nomes e outros têm história. Você parece ter um gosto onívoro, de modos que se não for muita pretensão minha, dê uma olhada lá no YouToba na cantora Eva Denia, principalmente neste link http://goo.gl/1ruFAz, onde ela interpreta Ballade des Dames du Temps Jadis, uma música de Georges Brassens sobre um poema do maior poeta marginal de todos os tempos, François Villon. 

Eu tenho um blogue: se eu ganhar algum vendendo mate…

!

Sim, também este VOADOR tem suas crises existenciais: “fundo uma igreja ou compro uma bicicleta?”.

Eu tenho um blogue.

Retalhos:

Sabe, a tua postagem, eu gostei mesmo foi do texto. Fluido, barroco, mas com aquela aparência de ter sido feito de um jato. Não sei se me faço entender, apreciei a forma, talvez em detrimento da essência. Sou desses apressados que primeiro apreciam a estátua, o quadro, as harmonias e só depois se detêm no significado. Mas vamos à essência (…). No mais, mais uma vez, teu texto: muito bom. Crônica pensada com as entranhas, seivosa e quente. Um abraço.

(…)

Ay, de los cuatro muleros…el de la mula torda. Mamita mía! El de la mulilla torda me roba el alma.

Caos:

Ai loviu forguétiscleine meini itapirú.

A Bela e a Fera. Safadeza, perversão, sexo animal, bestialismo. Não percam, no cinema mais próximo de sua casa.

Eu tenho um blogue.

O meu fantasma favorito: Mr. Peacock.

Mr. Peacock, Our good man, Mr. Peacock,

Turns us on! No one else could be so groovy.

You’re our shining knight. You’re so outta sight.

Love was such a bore, till you unlocked the door.

…………………………………………………………………………………………………….?……………………………………….

Mais Caos:

Ame o futebol, odeie os futebolistas. Muito. Mr. Sandman, bring me a dream.

?

Preocupado, encomendei uma tarde e esperei a noite, já alugada.

Eu tenho um blogue.

Ah, os crepúsculos marcianos, vermelhos como o batom de um santo, onde as pessoas de bem iam folgar nas praias dos mares mortos. Lá conheci Sarcoja Hefner-Seton, esposa fidelíssima de meu amigo Hefner-Seton, hierarca de Tars Lorquas (terra da trepadeira telepática de garras, como todos sabem). Recordo-me de seu belo chapéu, feito de pele legítima dos famosos ratos hibernantes do sopé do Olympus Mons. E sua bela bunda verde, brilhando ao sol mortiço de Marte setentrional.

Ah, as saudades me consomem.

Fala, Bíblia!

“poderás tu, atar as cadeias do Sete-estrelo, ou soltar os laços de Órion?”

AS MUITAS USAGENS DA MORTE

Until Death Do us Apart - Robin Hedberg

Until Death Do us Apart – Robin Hedberg

A morte é portátil, leve e dúctil.

Pode ser lenta e dolorosa, rápida e dinâmica, abstrusa, química, radiativa, abjeta, plástica enfim. Multifacetada dirá o antropólogo durante a entrevista. Não será gloriosa, entretanto, a morte, porque é uma avó. Também.

A morte pode ser uma dama vestida de azul, que foi assim que minha tia Noêmia a viu, dia a dia se aproximando cada vez mais de seu leito. Pode ser um velho com nuançosos, doces, suaves traços de sabedoria ou um velhaco, um destes idosos carcarejantes que se deliciam com a imagem de colegiais nuas.

A morte pode ser uma oportunidade para um porre total, que foi assim que meu tio Pedro a sentiu quando da morte do velho Hermínio, naquele dia de pássaros brancos sobrevoando o cemitério de finados. Um dia de chuva fina com a aragem gélida vinda do rio, com todas as pessoas tornadas em distantes, desprezíveis desconhecidos.

O mesmo Pedro que teve uma morte de quarenta quilos em um dezembro qualquer e somente um cunhado para remover suas fezes, ouvir seus queixumes, contribuir com doçura para a sua dignidade, negociando mesmo com a senhora de preto, convencendo-a a comparecer durante um transe. Pedro morreu sonhando.

A morte pode, porque é honesta a régua da morte.

A morte é justa. E indiferente ao poder, à bondade, às boas obras, aos rituais.

Os nove trilhões de nomes da morte irão um dia ser revelados, cuidadosamente escandidos e o mundo, a propósito, não se acabará. Nem será mais sábio. Nem mesmo triste, só monótono.

E era o que eu tinha a escrever.