Uma pessoa profunda e sábia, eu…

 

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Sem título – ANA BODNAR

 

 

 

A melhor coisa até agora, a que deixa o mais doce retrogosto é o fato simples e cru de que eu não tenho nada a dizer, nada a escrever, nenhum pensamento novo, nenhuma reflexão sobre o tempo e as coisas.

Eu. Nada tenho a fazer ou sentir. Não tenho nada a ver com o que está por aí e nem sinto qualquer necessidade de discutir o momento atual.

Estou. Equidistante de Brasília e da moda e das lutas e do amor. E dos ódios e da cozinha simples e da batalha dos chefs.

E nem. Não ligando para a saúde, nem dando conhecimento à dorzinha esquisita no braço esquerdo.

Estou fumando três cigarros por hora. Viu? Mais um. E mais um copo de vinho. Ao bar, claro, estou indo como quem vai à latrina, por necessidade. E fico lá, por horas, às vezes só, com uma long neck e um copo de cachaça dita de Salinas, tendo como companhia a televisão em algum canal de esportes.

É quase inacreditável. Nada a dizer, escrever ou almejar.

Alcanço agora felicidade da qual não supunha merecedor: a de comentarista do Nada, descritor solene de um saco vazio.

Só me falta uma figueira, uma serpente gigante, um Satori.

 

Agora, vamos ao jogo de armar:

 

A melhor coisa até agora, a que deixa o mais doce retrogosto é o fato simples e cru de que eu tenho tudo a dizer, tudo a escrever, infinitos pensamentos novos, infinitas reflexões sobre o tempo e as coisas.

Eu. Tenho tudo a fazer ou sentir. Tenho tudo a ver com o que está por aí e sinto profunda necessidade de discutir o momento atual.

Estou. Entranhado de Brasília e da moda e das lutas e do amor. E participante voraz dos ódios e da cozinha simples e da batalha dos chefs.

E sim. Dando enorme importância para a saúde, dando toda minha atenção à dorzinha esquisita no braço esquerdo.

Não estou fumando três cigarros por hora. Viu? Nenhum. E nem mais um copo de vinho. Ao bar, claro, estou indo como quem vai a uma festa, há muito esperada. E fico lá, por horas, nem sempre só, nem sempre só com uma long neck e um copo de cachaça dita de Salinas, mas sempre tendo como companhia a uma legião de conversadores e algum canal de esportes.

É quase inacreditável. Tudo a dizer, escrever ou almejar.

Alcanço agora felicidade da qual não supunha merecedor: a de comentarista do Todo, descritor solene de um saco cheio de plenitudes.

Só me falta uma figueira, uma serpente gigante, um Satori.

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5 comentários em “Uma pessoa profunda e sábia, eu…

  1. Ainda bem que Mariel já comentou e foi sucinto e claro, como eu não saberia ser.
    Acho que somos todos assim, como escreveu…né? Não? Enfim, eu sou, eu acho.
    Também sou mulher e sempre posso culpar meus hormônios pela minha…vou chamar de incoerência? Isso, no meu caso, pode ter outro nome também, vai saber.
    Adorei!!!

    Curtido por 1 pessoa

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