Nós, os timoratos

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SHY – by ANASORIANO – DeviantArt

 

Invejo aos covardes.

Vejam bem, não me entendam mal, não admiro o covarde amador, o pulha que se acha o máximo, o incomodador frequente de desafetos em bares e restaurantes, sempre mandando que voltem para Cuba, o locatário do culhão alheio. O medíocre atrás do nickname, o chutador de cachorros cadáveres.

Não senhor, comigo é no jiló!

Admiro e muito o covarde profissional, a bundona e o bundão, sem certeza de nada e carregando sempre a impressão de que já vão tarde. O vagabundo de última hora, a atrasada para o evento, o corno sentimental.

Aquele cara ou aquela que não sabe se é amado (e tem medo de perguntar), que não pertence a partido nenhum e nem comunga com deus nenhum, porque tem medo de ter escolhido a calça errada, a de rasgo progressivo, que fatalmente irá mostrar seu rabo covardoso para a troça da galera.

A idiotazinha, o mequetrefe sem talento. Ambos, pintores com a broxa errada.

O falível, o tolo por excelência. O covarde, a covarde. Homens e mulheres, viados e viadas.

Ah, não me depilei direito, dirá a covardona de quatro costados antes do encontro com o par de seus sonhos, o senhor ou a senhora Superconfiante. Ah, será que vão achar que não trepo bem?, dirá o rei do cagaço antes do encontro com seu príncipe ou princesa, a mesma senhorita ou o senhor superconfiante.

O covarde, merecedor de meus encômios, de minhas odes.

É minha opinião, que somente ao covarde será dado atravessar este século incólume, sobrevivendo, tenaz, como sobreviveu ao milênio passado. Desacreditando de si, claro, mas também desacreditando de bruxarias, de santos, de justiceiros e outros piolhos que infestam a carcaça humana.

O meu herói. Falto de confiança, frouxo inabalável, sem nenhum argumento de ocasião e cheio de sentimentos de culpa, como não admirá-lo?

Já notaram que o covarde (corroam-se pios cristãos)…perdão, já notaram que o covarde oferece sempre e antes as duas faces para o tapa?

Ninguém notou, mas Jesus, o paraboloso, que é justo e do qual dizem que também é Deus, com certeza tem isto anotado no seu caderno de apontamentos dos justos.

Ave, covarde.

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6 comentários em “Nós, os timoratos

    • Não existem resignados. Veja, falo por experiência. Afinal, quinze mil anos de idade são quinze mil anos de idade. Lembro-me até hoje com saudade dos mamutes. Mas eu dizia?, ah sim, resignação. Não existe. O que ocorre é uma dessincronia entre o tempo e nossos culhões para mandar o tempo à merda. No mais, estou gostando de suas intervenções. Aguardemos. Abracim.

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