Nossa visita ao Escrevinhador

Hercule Poirot by Diego Romo

Hercule Poirot by Diego Romo

 

 

 

Certa feita, dia destes, certa ocasião, tive que comparecer a uma delegacia de polícia por conta de um contraparente que me lesara. Compareci acompanhado de outro contraparente, advogado.

Eram, se tanto, onze horas da manhã quando entramos no local.

Não entrarei nos detalhes quanto ao atendimento, deselegante, grosseiro e já esperado. Mas o caso é que depois de uma hora e tanto sentado no banco duro de ardósia, me aparece um sujeito de meia idade, barrigudo, gasto.

“Foi atendido, senhor?”

“Ainda não.”

“Ah, bem…qual é o seu problema?”

E a coisa seguiu. Leve, rápida e atenta. E o “meu problema” foi resolvido.

Foi aí que conheci o sujeito que depois batizei de Magnífico Escriba, ou, o Policial Quintessencial.

Falo de um mito, claro.

Mas eu o conheci.

E deixei de acreditar em absolutos, em verdades prontas e nos sábios.

Depois escrevi sobre o sujeito, edulcorei, o dividi em dois, o fleumático e o bêbado. E ele sempre foi muito mais que isto, muito mais intenso, muito mais humano. Inventei sua persona e coloquei ali uns brilhos, desnecessários, mas ofício é ofício e o meu é de inventar.

E nunca fui mais honesto.

Foi uma honra te conhecer, moço. E que pena não possa hoje te visitar aí na Gehena, onde agora você chora e range os dentes.

Mas você foi grande, imenso como um continente. Uma chama cínica e humana até a raiz. Um amigo, dos poucos que tive e tenho.

Rolando, Orlando. O cara!

É.

 

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