TRAMA e trama e no final é REDE

 

arve

 

a rede

 

 

Viu,

viu?

Faça um poema.

A estrada de concreto crú entre a boca e o papel

escreva um conto e deixe a boca para fora para que grite

navegue com drusos sonhadores de areia

algo que te lembre de noites despreocupadas aos pés do Ararat

algo que lembre fenícios ao rés da proa apontando para praias prenhes de clientes potenciais

 

no meio do teu bairro

e agora confesso:

Quando eu pensava que tinha perdido o caminho para a fonte, foi aí que os pensamentos crús, despreocupados na aurora que é palavra tão que queima na língua com aquela quentura doce que antecede um presente ou o amor que às vezes vem e você não espera.

Pois é, o amor e as palavras que vêm de manhã, trazendo as boas novas.

Como tudo que é novo ou reformulado, vêem num jato, ou qualquer outra metáfora mais elaborada como por exemplo os caules exsudando verdes de encontro à mágica de dias cinzentos e nús.

De qualquer maneira, com cor e sensações que já vêem junto de si e de per si. Como o catatau sinistro de Leminsky ou as circunvolutantes meditações de Marco Aurélio, enfim, estas estranhas vias cheias de baleias orbitando júpiter à espera de uma morte não menos necessária que digna, não menos pensada.

Pois se há alguma coisa há que seja mais suspeita é a morte elaborada.

Essa feita de pequenos módulos que se encaixam.

Uma das muitas alegrias enfim que se permite àqueles que esqueceram de não penetrar muito fundo nos mistérios que matam como casas assassinas ou viúvas de calcinhas cavadas ou sei lá. Pois bem

de novo bem,

eu escrevi uma vez a respeito de Katmandu ou Nínive ou sobre Sidarta meditando sobre a figueira ou bananeira, sei lá, e é tudo a mesma coisa e o que eu sei de certo é que não interessa a ninguém mas interessa sim por que alguém alguma vez já deverá ter lido e talvez por Deus que me habita quem sabe eu digo tenha até entendido.

Digo, entendido e aí todos devem entender. Pois talvez demore outra vida até Katmandú e o Thamel e os acampamentos à base do Everest.

que o percurso da água, inconcluso, vago de qualquer modo, nos traga algum verde.

Eis a má qualidade, essa característica do sonho e da idade de pedra de que me trago

caminho para a morte mineral, esse mármore

assim eu escrevo o primeiro capítulo:

derreto máscaras de cera minhas e não lhes

falei ainda do que é difícil de entender

interessante no entanto lhes falar de mim

essas coisas de quem chora, de quem reclama ao pai tempo

pois em verdade:  é de um destino de singraduras que falo

labirinto de abelhas em migração

as vezes penso, potente e implacável senhor

eu, ainda crente  na metafísica da risada sou só assim?

Esse orifício no teu momento cuja hora de se ir

ninguém suspeita?

Eu, comum e pobre como todos?

 

paciente pensar bonito

 

amo, amo e amo

cada pássaro e cada pedra tem nome próprio

a obra visível que se deixa é um beijo de há pouco

 

posso dizer que ainda não falei do que é difícil?

Pessoas buscam um lápis e as palavras uma pá

veja a dificuldade: roubei o bilhete carmesim

e pulei para o viver e o esquecimento que vem à tiracolo.

Podia ter nascido de tudo um pouco

um editor de um YIDISCHE ZEITUNG ou teólogo cainita

e mesmo assim haveria o tempo, ainda que eu escorregasse pelos momentos, ainda que viesse colado à parede.

Oh, eternidade

Eu estou. Frase melhor que esta não acho. VIVA A VIDA

 

eu poderia me chamar Abulgualid Muhammad Ibn Ahmad Ibn Muhammad Ibn Rushd

e a vida ainda assim balançaria com lenta segurança

 

da direita para a esquerda

 

 

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