O CÁLICE MÍNIMO

POVO POVO

 

O debate mínimo e eterno. Demonstrar a existência não do Brasil, não de Deus, mas desta fantasmagoria chamada Povo.

Haverá maior solidão?

Povo, nós. A putinha sempre enganada.

A Pátria vira de novo o que sempre foi: um Serpentário.

De novo!

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Um entreato singelo

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Mas. Então não era?

As pessoas não sabem, então conto o ocorrido.

Ora, o ocorrido? É. Bem, vamos lá.

O caminhão parou defronte à joalheria. Um caminhão-baú, um bauzão. Sua porta traseira foi descida e transformou-se em rampa e pela rampa desceu o hoje famoso elefante. Irado, focado e atrevido.

Não teve dúvida o paquiderme, com a tromba arrebentou o vidro e com a tromba recolheu as joias que pode e com a tromba as atirava para o interior do caminhão. Limpo o mostruário, subiu ao caminhão e daí se evadiu, tomando o caminho para LINS[1].

Mais tarde o planeta girou, os pastores pregaram e algumas plantas foram felizes. Então, chegou a polícia. Assim, no seco. Um inspetor, um investigador, o cara.

E havia o pequeno Anselmo, o guarda-noturno, a testemunha.

“Bem”, disse o inspetor, “conte tudo o que viu”. E disse tudo, Anselmo, o que vira, o elefante do mal, as joias e a tromba do elefante do mal capando as joias.

“Huuummm…”, o inspetor-investigador do bem considerou com seus zíperes[2].

“Diga-me, descreva-me, como era o elefante?”, inquiriu o inspetor, severo e hirto.

“Descrever, como descrever?”, desesperou-se Anselmo. “Um elefante é um elefante!”[3]

“O amigo se engana”, pontuou o homem-da-lei. “Ora, veja o senhor. Existem os elefantes indianos, do subcontinente indiano, bem entendido; bem, os elefantes indianos têm orelhas relativamente pequenas, quer dizer, são enormes, mas comparadas às dos elefantes africanos, são pequenas. Porque os africanos, olha, têm umas putas dumas orelhas. Assim, abano é pouco.”

“Ah…”, e a face estupefata de Anselmo era toda uma história.

“Bem…?”[4].

“Olha, não posso mesmo dizer se era africano ou indiano.”

“Como não, as orelhas…é só me descrever…”

“É  que ele usava uma meia de mulher na cabeça”.

 

[1] Local Incerto e Não Sabido.

[2] Era moderno demais para considerar com meros botões o inspetor.

[3] O que só mostra o quão terríveis são as pessoas práticas, de pés no chão.

[4] O inspetor era todo cheio de “bens” como se vê.