Um entreato singelo

elefante-e-a-corda3

 

Mas. Então não era?

As pessoas não sabem, então conto o ocorrido.

Ora, o ocorrido? É. Bem, vamos lá.

O caminhão parou defronte à joalheria. Um caminhão-baú, um bauzão. Sua porta traseira foi descida e transformou-se em rampa e pela rampa desceu o hoje famoso elefante. Irado, focado e atrevido.

Não teve dúvida o paquiderme, com a tromba arrebentou o vidro e com a tromba recolheu as joias que pode e com a tromba as atirava para o interior do caminhão. Limpo o mostruário, subiu ao caminhão e daí se evadiu, tomando o caminho para LINS[1].

Mais tarde o planeta girou, os pastores pregaram e algumas plantas foram felizes. Então, chegou a polícia. Assim, no seco. Um inspetor, um investigador, o cara.

E havia o pequeno Anselmo, o guarda-noturno, a testemunha.

“Bem”, disse o inspetor, “conte tudo o que viu”. E disse tudo, Anselmo, o que vira, o elefante do mal, as joias e a tromba do elefante do mal capando as joias.

“Huuummm…”, o inspetor-investigador do bem considerou com seus zíperes[2].

“Diga-me, descreva-me, como era o elefante?”, inquiriu o inspetor, severo e hirto.

“Descrever, como descrever?”, desesperou-se Anselmo. “Um elefante é um elefante!”[3]

“O amigo se engana”, pontuou o homem-da-lei. “Ora, veja o senhor. Existem os elefantes indianos, do subcontinente indiano, bem entendido; bem, os elefantes indianos têm orelhas relativamente pequenas, quer dizer, são enormes, mas comparadas às dos elefantes africanos, são pequenas. Porque os africanos, olha, têm umas putas dumas orelhas. Assim, abano é pouco.”

“Ah…”, e a face estupefata de Anselmo era toda uma história.

“Bem…?”[4].

“Olha, não posso mesmo dizer se era africano ou indiano.”

“Como não, as orelhas…é só me descrever…”

“É  que ele usava uma meia de mulher na cabeça”.

 

[1] Local Incerto e Não Sabido.

[2] Era moderno demais para considerar com meros botões o inspetor.

[3] O que só mostra o quão terríveis são as pessoas práticas, de pés no chão.

[4] O inspetor era todo cheio de “bens” como se vê.

Anúncios

Um comentário em “Um entreato singelo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s