Pasárgada

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A Moment´s Peace – by Erez Marom – DeviantArt

 

Não me lembro bem se em 1986 ou 1987, o fato é que fui embora prá Pasárgada.

(onde era amigo do primeiro-ministro).

Ah, Pasárgada, terra de lembranças queridas. Lá tive a mulher que quis lá cama que escolhi.

Fui-me embora pra Pasárgada, aqui eu não era feliz.

Lá a existência era uma aventura, de tal modo inconsequente, que Joana a Louca de Espanha (rainha falsa e demente), ora vejam, vinha a ser contraparente da nora que nunca tive.

E como fiz ginástica, andei de bicicleta, subi no pau-de-sebo, tomei banhos de mar!

E quando estava cansado, deitava na beira do rio e mandava chamar a mãe-d´água prá me contar histórias. Daquelas, que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar.

Fui m´embora prá Pasárgada  e em Pasárgada tinha tudo, era outra civilização. Por exemplo, tinha um processo seguro de impedir a concepção. Tinha internet de graça, tinha canabinóide à vontade, tinha prostitutas bonitas prá gente namorar.

Modos que assim foi. E foi quando eu fiquei mais triste, mas triste de não ter jeito, quando de noite me deu vontade de me matar…ah, dane-se eu disse — Lá sou amigo do presidente — e terei a mulher que quero na cama que escolherei.

Fui-me embora prá Pasárgada!

Assimzinho.

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5 comentários em “Pasárgada

  1. Quero ir a Pasárgada – http://wp.me/p27WIE-A1

    Acho que eu deveria criar uma categoria chamada poesias aqui no Blog em virtude das diversas que admiro de grandes autores brasileiros para poder dissertar sobre, mas como essa ideia surgiu agora vamos ver como vai ser daqui para frente. Segue uma das obras de Manuel Bandeira, chamada Pasárgada (Que descobri em um texto adaptado magistralmente do jornalista Cosme Rímoli em 2013), onde sempre que me deparo de momentos de extremo stress ou de alívio é inevitável a comparação e imaginação. Quem dera se eu fosse “amigo do rei” e pudesse desfrutar de Pasárgada, ficar no ócio absoluto.

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    • Ora vejam, um pasagardiano! Segui vosso link até vossas Rezenhas. Proposta interessante de não se ater a um nicho, mas apurar o ouvido ao ruidão do Pop. Quanto a criação de uma categoria para a poesia, permito-me observar que a poesia, hoje, é quase invisível, quase inexistente e o poema é quase um palavrão. Fruto do tempo, acho. Muito rápido, muito barulhento, enquanto o poema é, por natureza e sina, diáfano. Daí que importantíssimo é, pois, poetar. Alguma coisa assim como mijar contra vento. Obrigado pela intervenção. Por favor, volte a contatar e provoque. Muito. Abração.

      Curtido por 1 pessoa

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