KAATSO

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Fotografia: Hidrante Av. Paulista – by Zanlucas – Arte do hidrante: Marco Chiapetta / DeviantArt

 

 

KAAATSO

 

É um planeta?, perguntarão.

Não, é o meu saco. O caso é que sou paulista, paulistano mesmo e nós aqui somos tão misturados que temos a graça de escolher e recolher nossos xingamentos em miríade de culturas de migrantes e imigrantes.

Daí o Kaatso, uma corruptela do cazzo que achei bonita. Cazzo! Como, o que significa? Significa uma “coisa” aí, cavalheiro. É baixo calão, senhorita.

Mas, nós paulistas, temos muitos outros insultos supimpas a nosso dispor. Senão vejamos: cabra fresco, rapariga, presente dos nordestinos.  Okama, manko, presente dos japoneses. Uma questão de escolha.

Mas me orgulho do meu Kaatso, criação minha. Vejam como é lindo, original e eufônico. Brilha mesmo.

Nós, os paulistas.

Não, nos confundam com estes alienígenas bizarros do separatismo Brexit-caboclo que agora medra aqui na província.

Kaatso, nós paulistas somos muito mais que isso que tá aí, exposto à venda. Somos mais diferenciados, mais escuros, mais claros, mais negros, mais altos, mais baixos, mais católicos e mais evangélicos. Mais umbândicos, mais judeus e mais baianos.

Nós somos também muito mais mulhéricos, e mais lésbicos e mais trans e mais viádicos, graças a Deus. Que, aliás, é também paulista por que não tem uma cara só.

Nós, os paulistas.

Ande por São Paulo, a cidade. Por exemplo. Digamos que seja você um sensitivo, um médium. Aí, fudeu! Você vai topar o tempo inteiro com fantasmas de bandeirantes (que você vai reconhecer de imediato porque ou são índios ou são mestiços. Todos de pés descalços), com tzadikim judeus, ulemás circunspectos, orixás flaneurs, santos diversos (São Frei Galvão é habitué na Praça da Sé), fantasmas de noivas frequentadoras de cemitérios, fantasmas de retirantes da seca, fantasmas de sacerdotes budistas, fantasmas de escravos se encaminhando para a missa das sete e meia na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no largo do Paissandú.

Kaatso, nós os paulistas. Nós que apelidamos nossa Guerra Civil de 1932 de Revolução Constitucionalista. Nós que há décadas estamos tentando despoluir nossa Cloaca Maxima, o rio Tietê.

Nós. Volto ao Kaatso! Não, não nos confundam com o povo cheiroso e novaiorquinado que prega a separação da província.

Somos mais confusos, mais falíveis, menos elegantes. Paulistas.

Um grande Kaatso para todos.

 

 

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