ODISSEUS, UMA VARIANTE

RUSSEL FLINT 2

Dez anos. Suas ferramentas foram deixadas todas no paiol, uma ou outra no campo, mas limpas, polidas, em ordem.

Calipso não disse nada, não importa o que a Odisséia cantou.

E despediu-se Odisseu das servas divinas: adeus Io, adeus Agave, adeus, e elas o beijaram nos lábios e na testa. E algumas choraram. Odisseu certamente chorou.

Calipso pôs-lhe mesa farta, presidindo com gravidade, servindo pessoalmente seu vinho, untando seu rosto. A noite fizeram amor pela última vez e Odisseu beijou e sugou seios de deusa, acariciou uma bunda firme e eterna, penetrou uma boceta cheirando a ervas. A primeira ereção latejante em anos experimentou uma divina boca.

Pensarás em mim, meu Odisseu?

Por alguns anos, por alguns anos. Depois terei o que todo homem tem: uma tumba espargida com vinho e mel.

E tua Penélope?

Odisseu cheirou seus cabelos, profundamente.

E na jangada, já longe da rebentação, se pensou com carinho na ninfa, pensou também no fastio.

Ítaca, disse sorrindo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s