O PROVERBIAL TEMPO DO PRANTO E DO RANGER DE DENTES

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O poeta – Egon Schiele

 

 

 

 

, sempre quis começar um texto com uma vírgula. Bem, aí está ela.

Vamos lá, aviso que já preparei o meu aviso profético, furibundo e intenso.

Eis.

Ai de ti, Jerusalém! Ai de ti, Sião, recostada como uma prostituta alugada a preço vil.

Perguntem-me alguma coisa!

Como? Tolice.

Chikamatsu Monzaemon escreveu uma vez que a Arte reside nas fronteiras de sombras entre a realidade e a ilusão. Um poema pode começar com a morte, a chuva ou a aurora, mas o realismo de uma estrofe deve ser compensado pelo ilusório de outra.

Mas aí temos o nosso tempo, onde os aviões voam e logo caem em lugares molhados onde celebridades não conseguem nadar.

Nosso tempo conspiratório, onde não conseguimos despertar do pesadelo do presente. Não admira precisarmos da profecia.

Ergo, eis-me aqui. Ajoelhem-se!

Todo tempo faz referência a outro tempo e é suscetível de ser explicado por outro tempo, como uma longa cadeia de salsichas.

O profeta então é apenas um açougueiro diligente.

Une saison en enfer. Ai de ti, Jerusalém!

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