Elegia

fim-de-caso-amores-adeus

Eu devo isto a meu pai, a minha mãe, a meus amigos.

Não podia e não posso deixar passar impune. Eu estava lá, nos anos oitenta, no ABC, e era parte de tudo.

Lá eu conheci ao padre belga, ao músico, ao primeiro viado e a primeira lésbica que saíram à luz e se tornaram meus amigos, ao pequeno estelionatário, ao operário, ao pastor presbiteriano, ao poeta marginal, ao balconista filosófico, à feminista que ousava ser feminista, ao peão de obra e de chão de fábrica, ao anglicano. A todas as gentes que eram do bem, que lutavam e não tinham vergonha de lutar. Eu próprio era do lugar e minhas mãos eram feitas de pedra.

Era um tempo de descoberta e as boas gentes lutavam e tinham tempo para o devaneio, a música e conseguiam ouvir o zum do tempo.

Não conheci pessoalmente Marisa Letícia Lula da Silva, mas é como se a conhecesse.

E sinto falta dela como sinto falta de outro tempo. Menos odiento e mais belo. Sei somente que ela nos deixou.

E já sinto falta de seu pastorado, curto e maravilhoso.

E é isso

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5 comentários em “Elegia

  1. Ler seu texto me animou novamente. Desde à internação dela, eu tenho tido um certo receio de ler as notícias ou rede sociais.
    Tenho medo desse povo que está por aí.
    Mas suas palavras me energizaram.
    Grata por isso.

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