MUNDOS DISTÓPICOS, ROBERTO CARLOS E A VIDA COMO ELA É

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Em 1984,  pressentindo uma tempestade que se aproximava, Mateus José caminhou pela Rua dos Patriotas e desceu até a estação ferroviária do Ipiranga.

 

Em 1981 Mateus José comprou um livro em uma banca de jornal, defronte à estação ferroviária de São Caetano. Era o Ulisses, de Joyce. Ele só leria o livro anos depois, durante uma temporada de desemprego.

 

Em 1978 Mateus José ia para casa em um ônibus, por volta de 14h00min (ele havia sido demitido e não teria que trabalhar até as 17h30min), ocasião em que ouviu e nunca mais esqueceu a música “Para ser só minha mulher”, de Roberto Carlos. Ele sempre associaria a canção ao amor e aos dias frios.

 

Em 1982 Mateus José foi apresentado a Blade Runner, no Cine Gazetinha e nunca esqueceu o pombo nas mãos de Rutger Hauer, alçando vôo.

 

Em 1989 Mateus José trabalhava no turno da noite em uma transportadora, ocasião em que viu luzes no céu. Uma delas lá permaneceu por horas a fio, depois deslocou-se em alta velocidade até o horizonte e desapareceu. Anos depois, comentando o ocorrido, negou-se a usar as palavras “ovni” ou “ufo”, dizendo que vira luzes se movendo e nada mais.

 

Em 1986 Mateus José fez amor pela primeira vez com uma senhora muito simpática que ele achava que jamais iria dar, mas deu. Achou muito estranho que a mesma simpática senhora, tão bonita e desejável, tivesse chegado ao orgasmo (Mateus José não confiava muito no universo e nem em si mesmo e sempre esperava pouco da vida).

 

Em 2013 Mateus José foi flagrado em estado de êxtase que durou horas, depois que uma revoada de garças  sobrevoou sua cabeça em um manguezal de Cubatão.

 

Em 1972 Mateus José era uma criança e num dia chuvoso olhou para o morro cheio de árvores e nublado e conseguiu sair (por breves momentos) para fora da Eternidade. Ele nunca mais repetiria a experiência, mas nunca duvidou dela (ao contrário da maioria). Até porque sempre conseguira, quando criança, sair com certa regularidade para fora da Eternidade se a ocasião fosse propícia.

 

Em 2031 Mateus José foi recrutado pela Patrulha do Tempo.

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2 comentários em “MUNDOS DISTÓPICOS, ROBERTO CARLOS E A VIDA COMO ELA É

  1. Você selou que seu fim (Ou princípio de um novo plano será 2032?) Lembranças excelentes principalmente sobre Blade Runner que ecoa em minha mente desde ano passado (Infelizmente só quase 30 anos depois assisti). Minhas memórias estão esvalindo-se =/ Sorte a sa ainda tê-las amigo!

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    • Olá. Bem, eu não sei se 2032 será um novo começo. Tudo o que eu sei é que o sujeito arrumou um emprego em 2031: foi recrutado pela Patrulhga do Tempo, seja lá o que for isto. No mais, não acho que as memórias se esvaem, não acho mesmo. E sim, também sempre gostei de Blade Runner. Um abraço.

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