1968

invernal

 

Quando eu tinha cinco anos, olhe e veja

Não havia muita dor, só algum mistério

Só um ou outro cemitério a visitar

E muito pouca dúvida que descreva

que então não havia muito a reclamar

 

Mas aconteciam as manhãs e os dias

E tínhamos tardes tantas, por colecionar

E os semáforos no vermelho, sempre vivos

e os invernos que tinham aquela qualidade

 

e os dias que tinham aquela qualidade

e as tardes que tinham aquela qualidade

de serem claras e ventosas, frialdades

eram não mais que outra qualidade,

 

minha mão na de meu pai, e havia as ruas

e o arvoredo todo segredava e eram ruas

sem alarde, nada mais que ruas

e eram ruas sem enfeites, só de pedras

 

e eu me sabia e solidário me guardava

para todo aquele dia e aquelas pedras

 

para todos os momentos que aguardavam

para toda a cumplicidade sem alarde

para toda ambiguidade que eram as tardes

e as tardes que eram tardes se bastavam

 

 

 

 

 

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2 comentários em “1968

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