Jerusalém, Jerusalém…

MICHEL CHEVAL I

Arte de Michel Cheval

 

Modele o espírito na escuridão!

Na escuridão, a forma arcana

Segrega mistérios, signos em paralaxes

Uma arquitetura de mansidão sobre mansidão

Silêncios roubados ao dia.

 

O despertar da palavra

Solitária, densa, concisa

O fruto pendente da planta

 

O coração na pedra

A eternidade gota a gota

A música do espírito, congelada, mas atenta

Os padrões congelados feitos de preces

A presença como fogo

 

Deus é suspeitado, pressentido

Como a música em derredor da pedra

E aparece pela manhã

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SOBRE A ANTIGA E FECUNDA ARTE DE NÃO SER UMA PESSOA DO BEM

 

Anjo da morte

 

Sei que todos me acharão superficial e tolo. Dirão, é tão fácil a pessoa não ser uma pessoa do bem! E aí vinde vós e dizeis que nos ensinareis sobre como ser um crápula. Ora, ora. Homessa!

Mas não, peço que me empresteis vossos ouvidos ou vossos olhos. Todo caso, dai-me vós o benefício da dúvida.

Ocorre que não sabeis o que é ser do mal, sois amadores. Achais que é só garatujar a sangue e fogo uma frase na testa de d´algum pequeno ladrãozito? Achais que é só mastigar e decepar o artelho de alguém de quem não gostais?

Tolos!

Amadores é pois o que sois.

Não ser uma pessoa do bem é mais do que perpetrar pequenas covardias para o gáudio de outros tantos pequenos covardes.

Não ser uma pessoa do bem exige mais! Exige comungar com Satanás e com Deus ao mesmo tempo. Exige ser bom para extrair o mais fino licor do mal, na bondade.

Exige mais do que ser apenas um Adolph Hitler qualquer, pessoa inculta (porque não tornada adulta), escrevendo mal e porcamente um Mein Kampf.

Exige mais, vos digo.

Para que se torne alguém uma pessoa que não é do bem se exige entranhas sólidas, ancoradas no mais profundo vazio.

Exige que a pessoinha do mal se creia boa e dona de verdades! Enfim, é um processo.

Sede então bons e propagai a bondade!

E, por favor, fazei por bem crer que sois o sal da terra.

E a arte de feder até os céus será toda vossa.

OFERECIMENTO

MUJER COM SOMBRERO

Este velho homem, este corintiano cansado vos recomenda.

Não a vós, homens, ocupados com vossas fantasias e falos (e no entanto, recomendo também a vós, os homens, ocupados em fantasias e falos e em relembrar vossas mulheres, em tê-las com garbo estacionadas em vossas lembranças, em tê-las como amadas…e tendo seus falos como elas têm suas perseguidas: como mimosas dádivas). Mas eu dizia, recomendo a vós, mulheres diversas que povoam estes campos internetais: sim, a vós, as inomináveis…as raquéis e as lias, as de tribos estranhas, vocês. Peco, cito três, talvez duas, quando deveria citar dez mil (serei um dia perdoado?).

Bem , para vós e só para vós entrego a canção, primeiro em letra, de Silvio Rodriguez. E depois o místico link:  goo.gl/lfI46j

OLEO DE MUJER CON SOMBRERO

Silvio Rodriguez

Una mujer se ha perdido

conocer el delirio y el polvo,

se ha perdido esta bella locura,

su breve cintura debajo de mí.

Se ha perdido mi forma de amar,

se ha perdido mi huella en su mar.

Veo una luz que vacila

y promete dejarnos a oscuras.

Veo un perro ladrando a la luna

con otra figura que recuerda a mí.

Veo más: veo que no me halló.

Veo más: veo que se perdió.

La cobardía es asunto

de los hombres, no de los amantes.

Los amores cobardes no llegan a amores,

ni a historias, se quedan allí.

Ni el recuerdo los puede salvar,

ni el mejor orador conjugar.

Una mujer innombrable

huye como una gaviota

y yo rápido seco mis botas,

blasfemo una nota y apago el reloj.

Que me tenga cuidado el amor,

que le puedo cantar su canción.

Una mujer con sombrero,

como un cuadro del viejo Chagall,

corrompiéndose al centro del miedo

y yo, que no soy bueno, me puse a llorar.

Pero entonces lloraba por mí,

y ahora lloro por verla morir.