A paixão segundo o Corintiano Voador II

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Com o que então, Suleiman ibn Daoud, começo esta história

, eu que estava tão longe de ti na ocasião, lá em digamos, um janeiro não é? Uma Jerusalém, quem sabe?

Bem, era um desses dias ou lugares talvez,

quando então era moda lutar contra os fados, desde que se babasse com cuidados nos culhões dos deuses em voga.

Não era uma época de calma, de vagar.

Era mais o comum, o pastoreio de ovelhas, a fermentação de nossas lágrimas, os sacrifícios rituais.

Uma época propícia para servas chamadas Hagar.

Não como hoje, onde enredamos a vida e a paciência em grades tão apertadas que elas choram,

Mas não mais livre era a época, Também cheia de salvação e perdão e inferno em drágeas

Se acaso morrêssemos, quem ligaria para nossos sobejos? As coisas sórdidas que se desprenderiam de nós?, em livros, terra, cuecas, camisetas, sistemas?

Nada. Isto dito pelos golfinhos e pescadores.

Se acaso morrêssemos, nada em nós mereceria sequer um peido.

Enfrentaríamos batalha última, leríamos as muitas bíblias, e não teríamos olhos para ver;

Não atentaríamos para o fato de ser Lilith mais completa que Eva, embora tão morta quanto

E até agora, forçoso dizer: até aqui, só falamos de nosso umbigo

Sim, e de púrpuras sonolentas. E sim, de fadas desidratadas

Ainda assim, temos e mantemos nossas declarações de amor para nossas mulheres: Tu és valente como uma idiota e terna como uma tarde.

É verdade, somos o que o somos, como um anjo, como uma promissória.

É. Ainda assim, Hagar, teremos filhos.

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A PAIXÃO SEGUNDO O CORINTIANO VOADOR

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O Evangelho Segundo São Mateus – Set de filmagem – Pier Paolo Pasolini

 

Reservado, contrito, mas atento, em uma viela de Jerusalém

Eis que Jesus se recolheu (avistara a cavalos e soldados)

Nada demais, soldados e cavalos, eram romanos os cavalos

E eis que havia ainda, devotados, apóstolos mais além

 

Então, eram os cavalos e os soldados e o Senhor

De nome Yeshua ben Yussef, um carpinteiro

Que iria se foder ao fim do dia, o fim certeiro

Era certeza e desfazia-se o enviado em dor.

 

Jesus amava a inteireza, sabia que sabia todo o enredo

Não lhe importavam judas, o sinédrio ou Pedro

Sobre este último, interessa, dizer que era Pedra de apelido

De nascimento, o pedra, o Kephas, o remido

 

Shimon bar Ionah, negador profissional, três vezes

(apenas aos melhores convocava o nazareno)

e cada pedra da cidade segredava o ai supremo,

morrerás, Jesus, mas olha, os teus revezes

 

servirão para consolidar, serão fecundos

será de glória vossa morte, em prol do mundo

terás a via dolorosa e turistas em disputas

uns por adorarem o deus uno iracundo

outros por irem mais além, e resolutas

outros por teu gesto de amigo às putas

 

as massas ocuparão o paredão do templo

e colocarão mil orações em suas fendas

e quando não restar alento ou mesmo tempo

 

de modo calmo, firme e lento,  em meiga dança

como convém a tão gentil messias, ei-lo

repartirão as rendas vossas, teu dinheiro

e irão mercadejar teus gestos e teus dias

 

e Jesus não será mais Jesus, o desenredo

não mais que uma pintura em uma folhinha

um inventado homem em uma folhinha

e, claro, uma cadeira doirada para Pedro

EU ME LEMBRO III

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Lullaby for Butterfly King II – Michel Cheval

 

NINGUÉM TE SALVARÁ,

BÉTULA SEM CAULE,

NADA DE VENDAS HOJE

ZERO, PÁTINA EM MINHA BÍBLIA

 

(FOI EM ABU SIMBEL)

 

 

NINGUÉM TE RECITARÁ O CADISH

CAMPÂNULA CARENTE DE CARNE, SEDA PLANTADA EM CINZENTO, NAUFRÁGIO

TRAMASTE O FIM, SÓ ME  RESTOU A MEDUSA DO TEU CABELO

 

LEMBRAS?

EU VINHA COM AQUELE AMIGO EM UM DIA DE PEDRA

DRÁCULA NOS ESPERAVA NA BANCA DE JORNAL MAIS PRÓXIMA

NAVIOS ESPANHÓIS

BUCANEIROS À MESA RASGANDO MEU CORAÇÃO INGLÊS

E O NATAL ADIVINHADO NO BARCO ANCORADO NO CORREDOR DE PEDRA

SALVIA

DRAM-ISTABRACADIM

KHIAMAMADRA

FLASH GORDON

 

NO RELÓGIO DA TUA CABEÇA

TECEMOS O TEMPO EM TORNO DE MARGARIDAS

 

AH, EU AMAVA O COBRE VENTUROSO DO CAMINHO

O TELEVISOR SAGRADO, A COPA DO MUNDO

AS MANHÃS JAPONESAS

E O RISO DE MEU PAI VINDO PARA ME DIZER DO DIA

 

FRAGÂNCIA PRESA AO MEU NARIZ DE PEDRA

EU COLOCAVA UM AMIGO DEPOIS DO OUTRO EM CIMA DA MESA

E OS RECONTAVA

E OS AMOLGAVA NA MOENDA DE MINHA TREVA

CHICO EM MINHA CASA

EXPEDITO EM MINHA CASA

ALVIM AO MEIO-DIA

AS ESTRELAS NO FRIO DA MANHÃ

 

ERA DE NOVO O QUE ERA

KOMUSO COM A TIGELA

O GATO EM TRANSE

 

A TARDE E A NOITE

DOS VERÕES DE DEZEMBRO ME COLOCAVAM

ME SUSTINHAM

PENDENTE

 

AS MANHÃS FRAGANTES

TEÓPOLIS

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Artificial Sun – by Ahermin / DeviantArt

 

E NA ALA VIP DO CÉU

OS TURISTAS CORREM COM OS DENTES

EM SANGUE

POIS É

EU ESTOU LÁ, SORRINDO!

 

FOTOGRAFO DEUS

PROTEGIDO POR QUERUBINS

E ESPERO O ARMAGEDON

ATRASANDO O EMBARQUE

 

É. DEUS DE MANHÃ

QUASE NÃO RECONHECI

SEM O RAY-BAN

SOBRE A POESIA E OUTRAS EXCENTRICIDADES

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ANDERSON ANDRADE – DeviantArt

 

Para Mariana, a Gouveia. Arqueóloga de quintais, geógrafa afetiva e tecelã de ritmos.

 

 

Quando era eu ainda um petiz (adoro esta palavra tão antiga dos meus primeiros livros de escola); bem, quando era ainda um moleque, me apresentaram à poesia. Primeiro com meu pai, devoto de cordéis e depois se acomodaram na sala os parnasianos e aí ouvi a música de Bilac e Castro Alves, suas palavras encorpadas, as rimas feitas de matéria diáfana, mas densas, como trovões.

Começo de novo, a poesia.

Bem, amigas e amigos, a poesia para mim que começava eram só as rimas. Não conseguia conceber o poetamento sem a mágica das rimas. Poema para mim, nos começos começantes, eram os rimados.

Na época, todos concordavam comigo. Todos os habitantes do meu mundo social tinham isto claro e soberano: poesia sem rima não era poesia. Daí que desprezavam as poesias não rimadas como imperfeitas, dignas de riso.

Eram os setenta e os oitenta em toda sua falta de glória.

Então, como na canção, se passaram os anos e eu consegui, com certo sucesso, sair do nicho onde me gerei e conheci a outras formas: primeiro os versos brancos, depois os Oswalds e Mários de Andrade, as Cecílias e a Túnica Inconsútil de Jorge de Lima. Depois, os concretistas, as tentativas de tradução de haicais, os franceses, Octávio Paz (e os arcos e as liras de Octávio Paz), Drummond.

Foi aí que eu percebi o que de fato me atraía na poesia. Não eram as rimas. Gregos e romanos, chineses e persas e árabes não rimavam. Mais que tudo, percebi que era o ritmo.

Uma coisa que o poeta mediano não percebe, embora todo poeta, medíocre ou genial, mereça o cognome grandiloquente e vazio: Fulano, o poeta.

Sempre acompanhei com carinho as seções de poesia de pequenos jornais de cidades, os jornais de classe, as revistas de ocasião, onde Beltrana e Beltrano se faziam publicar. Como não entendiam de ritmo, cometiam seus poemas com aquela qualidade que nos trazia a nós, leitores, um pequeno incômodo em nosso ouvido interno.

Mas eram poemas e eu apreciava seus esforços. Ainda aprecio. A única medida sendo se eram honestos ou não em seus esforços.

Houve mesmo uma evolução no gosto médio dos poetas médios. Nos anos setenta e oitenta (e sem dúvida nas décadas anteriores que não vivi) preferiam os meus adorados medianos às rimas, depois perceberam não ser pecado soltarem as suas palavras das grades da metrificação.

Só não percebiam que com rima ou sem rima, os poemas reclamavam uma forma, um andamento, uma pulsação.

Não obstante, minha régua não mudou: honestidade. Sem honestidade não há o poema e, suspeito, nem a prosa e nem o texto. Não estou falando da verdade, estou falando de coerência. Um signo tem que responder a outro signo, um tom a um outro tom.

Exempli Gratia, a música. A música também não pode prescindir da pulsação, do andamento, embora sejam outras, as pulsações e andamentos da música, por existirem dentro de outra pulsação e andamento mais poderosa, imperiosa, que é feição e a necessidade que fazem da música, música.

Você pode ouvir a uma peça serial de Schoenberg ou Alban Berg; a Jackson do pandeiro ou a uma música introdutória em peça do teatro Nô; a Ravi Shankar; a Elis, ao hip-hop, ao funk, ao sertanejo, enfim. E lá você vai reconhecer a música, o balanço e vai saber no ato se está tratando com um criador honesto.

Se não, você vai sentir o ruído da máquina, cada vez mais presente e só.

Também assim com a poesia. Parece ser uma questão não do acorde, mas da mão que dá vida ao acorde. Parece ser uma questão não da palavra, mas da boca e da mão que se preocupa com, em conjugar, em tornar harmônica a palavra e o espaço em branco entre as palavras.

Não é vazio o espaço entre uma palavra e outra palavra. Talvez nem seja branco, mas está lá.

E era só o que eu tinha a escrever.

Em outra ocasião, reinventaremos a roda. Aguardem.

 

ODE ÀS BUNDAS

ORANGE YOU GLAD? BY BAILEY ELIZABETH

ORANGE YOU GLAD? By Bailey Elizabeth – DeviantArt

 

 

Bundas, bundas, vós que pairais, voláteis

Entre a coluna e o fim de tudo

No fulcro único, obscuro, de odes mais meritório

E diga o mundo bundas e subilatórios

Mas digam bundas, após e sobretudo

Digam montes de doce maciez, voláteis

E digam divas, musas do submundo

Inda que tudo, digam bundas! Tão portáteis!

Levadas, erigidas, transportadas, quase sem esforço

Mui elegantes criações versáteis

Montes veludosos coroando, inversas.

O torso

SOBRE O TEMPO E SOBRE TEMPOS

 

 

 

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Mida´s daughter – by Radoslawsass-d84wwg1SS / DeviantArt

 

 

deste mundo nada sei, sei nada não, sou o que nunca

Verdade verdadinha, nada atino sobre o tempo

Sei só que é escroto o tempo em cada canto,

E que a tarefa mais dileta que o tempo funda

É fazer minorar o tempo e o mundo e o pranto

 

Já não relembro mais Robertos Carlos, nem Gonzagas

Mas relembro que o tempo é um cu, caso acabado

Ou talvez seja só o tempo um consolo mal acomodado

Todo caso não está em nossas mãos, o tempo e o fado

 

E é sempre bom mandar o tempo, nosso namorado,

É sempre bom mandar o tempo, nosso amante, às favas.

 

 

Breves considerações sobre a jucunda arte de poetar, assim, a modo internético e fugaz

Iridescências

Iridescências – by Voador

 

 

Rapáizi!

(assim é que os nordestinos se referem a alguém, quando admirados e eu sempre gostei deste “rapáizi!” lá deles. Muito melhor que um “rapaz”.)

Mas, rapáizi!

A coisa é que eu vejo muito dos poetamentos do povo aí na rede. Uns poetam pra dentro, outros poetam em torno do umbigo, o que acaba dificultando e tornando pesada a coisa. Às vezes.

Uns poetam pra cima e somem num zum e aí eu fico aqui embaixo tentando localizar o bólido.

E tem os que poetam pra baixo.

De qualquer maneira, pra dentro ou pra baixo. Prá riba ou pro umbigo, você percebe quando encontraram seu eixo de poetamento. Não tem muito a ver com o texto, nem com a honestidade (que muitos são honestos), tem a ver com o dom de poetar que é uma coisa que se sente.

Mas, rapáizi!

As vezes não consigo achar um rumo, mas sinto um ritmo. Leio e penso: é, a rede acontece e, interneticamente solenes, encontramos aos novos poetas.

Ah, faço questão de mostrar minha gema, meu capitão. E, desculpe, falei que é minha mas né minha não, garimpei:

A solidão acontece a céu aberto.

Claro está que a roubei (Você releve meus hábitos malsãos, Mariana, a Gouveia).

E eu acho que é tudo o que eu tinha a dizer sobre a nova poesia e a internet.

Abraço, povo meu.

POEMETO PARA DEPOIS DA CHUVA (Para ser declamado por um homem nu a uma mulher nua)

 

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Eu nem mesmo entendo o que é vida

Mas tenho a mulher que é minha

e a vida e a  chuva

E tenho minhas dúvidas, frias, e a chuva

 

E tenho minha vida, meu governo e suas culpas

E as rimas pobres que rimam morte com sorte

E tenho a sombra pequenina e sombria

E as rimas de estar só com o pó e a terra fria

 

Só, como quem compõe uma canção,

Como quem lamenta estar só e comenta como aporte

Como quem ruge contra o tempo e a sorte

Como quem coleciona momentos, sem métrica

 

Tudo o que abarca a infinitude geométrica

 

Como quem insiste em remar contra o tempo

Rimando quando ninguém mais rima, a paz ascética

Diferentemente de augusto, o dos anjos, de quem roubo

Uns e outros, inda que breves, os vãos momentos

 

Combinando palavra com palavra como quem

coleciona aos todos eles, sim, aos sentimentos

Como quem conspira, puto e terno, contra o tempo

E quando acabar o mundo e não houver mais tempo

 

Cantará sobre mariposas e seios e mais além

E discorrerá sobre corpos de mulheres nuas

Por serem belos os corpos de mulheres nuas

E só porque, só porque, seios cheiram bem

 

 

POBRE PROTAGONISTA É O POBRE

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Indiscutivelmente. Procure, puxe por sua memória e veja se encontra pobres como personagens principais na literatura, no cinema e na televisão. Nas histórias em quadrinhos.

Encontrou? Claro, mas como personagens principais? Eles estão lá, claro, mas sempre no núcleo pobre da novela ou como figurantes.

Há exceções, não nego. Temos a Macabéa de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. O camponês miserável de Levantados do Chão, de Saramago. Os sem-teto de As Vinhas da Ira, de John Steinbeck. No cinema, encontraremos uma ou outra garçonete, uma empregada doméstica, mas mesmo nesses casos há como que uma idealização. São mais tipos, que pessoas.

Mesmo o “cowboy”, um operário do pastoreio, foi provido de armas no coldre e um belo cavalo para assim melhor conquistar o Oeste. Ninguém menciona que os vaqueiros americanos originais eram em sua maioria negros, índios ou mexicanos e que seu meio de transporte estava muito mais para um jumento do que para um garboso cavalo.

As personagens dominantes são ricos ou oriundos de extratos médios da sociedade.

No passado, nem isso. A Ilíada, a Odisséia está cheia de “bravos aqueus de longas melenas”, porém todos vindos da aristocracia. Odisseu era rei em Ítaca. O único, por assim dizer, pobre, era o “néscio Tersites”. Além de néscio, era soldado raso. E feio, imensamente feio.

No cinema americano é nas classes média e alta que nascem e vivem os personagens principais, mas mesmo quando o foco é em profissões, digamos, menos nobres, são profissões idealizadas, que remetem à aventura e ao individualismo: o policial, o já citado cowboy, o detetive, o músico, mas quase nunca o operário.

No Brasil, nossos cinema e teatro não são muito diferentes. Certo, existem as obras que procuram mostrar extratos mais baixos da sociedade. Mas ou recorrem ao filtro de uma obra clássica, caso de Orfeu da Conceição de Vinicius de Moraes ou a uma visão sociologizante, como em Cinco Vezes Favela. Ou, descem à marginália e aparece o traficante, o ladrão, a prostituta.

Não, você ainda não viu muitos operadores de máquinas, ajudantes gerais, faxineiros. Não encontramos muitos Jáquersons da Silva ou Keisyannes de Cássia. O pobre incomoda. A primeira providência a ser tomada com o núcleo pobre da novela é fazer as personagens ascenderam socialmente: pelo casamento ou pela sorte ou pela herança que os redime, os torna mais belos e confiantes. Mais palatáveis.

Também sempre é bom ter em mente que mesmo a burguesia média é recente, uns duzentos anos, se tanto (não confundam com a burguesia podre de rica que ascendeu com o mercantilismo. Estamos falando de Policarpos Quaresmas e não de Cosimo de Medici).

E mesmo esta burguesia média, do pequeno funcionário público, do comerciante menor, a avó da classe média, só passou a ser retratada na literatura e no teatro após sua ascensão com a era industrial. Antes, o burguês era sempre o tolo, o fanfarrão, o de falas e atos ridículos e empolados e fizeram a fortuna de dramaturgo de Moliére.

Talvez a questão se prenda às profissões, aos ofícios típicos do pobre: o operário sem qualificação, o camponês sem terras ou com pouca, a prostituta, o marginal. Ao pobre desgostaria uma personagem que retratasse um meio de onde gostaria de emancipar-se? E o burguês?

Sinopse: diariamente Johnny José da Silva toma o seu trem super-lotado para trabalhar na metalúrgica na gratificante posição de ajudante geral. Namora Perolaine Jennyfer dos Santos, mas somente nos fins de semana. Depois, o baile funk? O boteco e o futebol? Quais as profundezas psicológicas, dramáticas, a que o bom Johnny poderia nos levar? Não, muito poucos se interessarão pelo universo de Johnny e Perolaine.

Ou, sinopse: Micaela Semprum Scuteri, loira e leve, é publicitária. Independente, mora sozinha em seu apartamento decorado com muito bom gosto. Um pouco louquinha, tem um relacionamento com Caio, administrador de empresa e músico bissexto, inteligente, “cool”, engraçado e autossuficiente. No mais, bares da moda, jazz, livrarias, rock and roll. Aí sim, diria o futebolista. E com roteiro da Bruna e direção do Ricelli? Massa!

O pobre ainda é o figurante. Décima-terceira cabeça a esquerda, na cena com a multidão, naquele filme que veremos brevemente.

O trabalho dignifica, os humildes herdarão a terra, bem-aventurados os pobres de espírito, etc., etc. Esqueci alguma coisa?