SOBRE MENTORES, MESTRES ESPIRITUAIS E AJUDANTES DE PEDREIRO

PINGA

Começava eu na carreira de homo sapiens e conheci a dois filhos-da-puta: o judeu do mal e o padre russo do mal. Ambos moradores do bairro do Ipiranga, na cidade hoje conspurcada de São Paulo. Onde, aliás, nasci.

Um não sabia do outro, mas eram duas putas véias que pensavam do mesmo jeito. Me disseram.

A mim, a minzinho mesmo. A este vosso criado!

Disseram: seja homem!

E disseram: Eu sei que é difícil, você pode não estar acostumado! Mas tente parecer com um homem!

Em verdade queriam dizer: seja digno! Tenha verve! Mas a época era de machismos diversos.

Modos que. Então. Modos que (entendi somente muitos anos depois: não acredite no sábio e nem em seus escritos e nem nos escritos do pequeno babaca que emula o sábio e nem na revista e nem no jornal e nem no sacerdote e nem no juiz justiceiro e nem em justiceiro algum e nem no jovem lutador pela justiça e nem no blogue e nem na puta que vos pariu).

Disseram-me. Disseram-me… só o básico. Disseram-me, mas não me aconselharam, pois que eram dignos demais para coisa tão primária.

Só me sussurraram: desconfie do sábio, do herói e do douto.

Seja uma puta desconfiada, me disseram!

Inventarei dois nomes para os dois: Ilya e Eliahu.

Obrigado.

Aos dois. Um minúsculo e elétrico. O outro enorme, e calmo como as marés.

A ambos eu agradeço.

E sei que ambos riem de minha tolice.

 

 

 

 

FILHO MEU

paint job

 

Tudo o que é escrito em português não é sério, e pode ser entendido sem medo como piada e tudo bem. Do mesmo modo, tudo o que se passar em terras lusófonas, mais exatamente em terras lusófonas do Brasil, não é digno de nota. Toda canção para ser canção tem que ser gemida em inglês (obvious), de modo que da lista telefônica até o cardápio de motel vagabundo, tudo se nos pareçerá poesia em estado puro, desde que garatujado em inglês. Entendeu agora, filho meu, porque o Fantástico só procura o especialista americano em vez dos bundões locais?

A ÚLTIMA POSTAGEM DO BLOGUE

“Meus Deus, Flash, ele fala sério?”  Buster Crabbe & Jean Rogers in Flash Gordon

 

A coisa sobre os blogues é que quem mantém um geralmente não pensa muito sobre a coisa.

Me explico (tento).

Para que manter um blogue? Vejam, não estou tentando ser engraçado e nem mesmo tentando brincar com paradoxos.

Mas, para que manter um blogue? Você está em casa, escrevendo sozinho para, sejamos francos, para ninguém. Mesmo que umas poucas almas de bom coração leiam o que escreveu, quantas lerão até o fim? Ou mesmo, quantas entenderão?

Isto, considerando que você consiga entregar um bom texto, o que nem sempre é o caso.

Isto considerando que o meteoro que está agora se aproximando do planeta não caia em sua cabeça.

Se você me leu até aqui gostaria que soubesse que sou um grande mentiroso e que não pretendo seja esta a última postagem do blogue (mas pode ser, o meteoro, a vida, o infarto, etc.), mas não pude resistir, não senhor, não deu, bateu aquela vontade de escrever merda e eu pensei por que não escrever merda?, daí eu escrevi merda.

Mas antes de escrever merda eu executei cuidadoso trabalho de planejamento, sim senhor, nada de uma merdazinha qualquer, flácida e infedida.

Não, pensei numa merda filosófica e autorreferente.

Mirei meu próprio rabo e pus a mão, na obra.

Por que então escrever num blogue?, ora, oras, pensei que soubessem!

Porque escrever em blogues é receita certa para uma pele viçosa (anotaram, meninas?), evitar a impotência (certo, rapazes?) e, mais importante, cura a escrófula.

Duvido que alguém leu até aqui.

Ô vida.

 

 

Kamikaze Joe e as Sereias de Ébano

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A pena inspirada de Temujin Pancho nos conta no Kamikazion que Kamikaze Joe visitava o universo número 222, pouco antes de despertar e sair para o trabalho.

Era e ainda é lugar de maravilhas, de magias escolhidas, de guerras aeronáuticas travadas por dirigíveis com quilômetros de extensão, de milhares de Graals somente esperando seus cumpridores de demandas.

Falo, e é claro que todos já perceberam, de Bombalurina 33, no setor do Dragão de Caça, logo ali a direita do Saco-de-Carvão.

Pois bem, uma nave avariada forçou nosso herói a uma parada fora de seus planos. E dado que a tecnologia Bombaluriana ainda não ultrapassara (e ainda não ultrapassou) a idade atômica, para não mencionar outras especificidades, foi uma longa temporada esta que reteve nosso aventureiro preferido sob os verdes céus e os triplos sóis.

Não, não nos deteremos nas descrições, quiçá enfadonhas, do Porto do Céu, nem falaremos das Kalavinkas sobrevoantes, nem da austera, mas magnífica arquitetura da Cidade Velha.

Os tempos eram de crise, a Rainha-Mãe morria lentamente e os Sobrinhos-Reis estavam encerrados no conclave da Ilha Firme. Tal não impediu que a sempre falada hospitalidade bombali mostrasse sua presença e Kamikaze se viu hóspede da Margravina em pessoa.

Kamikaze ressonou e encolheu-se contra a parede.

Os dias se passaram então em discretas festividades a honrar o importante hóspede (discretas. A Rainha morria, os reis em conclave, etc.). É claro que discretas do ponto de vista dos bombalis, o que é uma grande diferença.

Eis então que chegou a mensagem, urgente, imperiosa, trazida pela manhã e pelas fadas secretárias. A Rainha escolhera seu anjo de morte e a notícia apanhou nosso herói em deslustrosa nudez, em jucunda foda com Jade e Rubi, as netas da Margravina.

Para os mais afoitos e dedicados à luxúria recomendo as páginas 33 e 34 do tomo III do Kamikazion, profusas em descrições de seios túrgidos, bundas empinadas e interessantes variantes das posições sexuais mais conhecidas.

Nunca se disse que Temujin fosse pudibundo.

Mas o fato é que Kamikaze Joe foi escolhido para liderar o féretro da Rainha-Mãe, função sempre entregue a hóspedes ou mendigos, o que viesse primeiro. Significava também uma penosa viagem pelo oceano Caldeirão até o pequeno continente de Bonifácio para, após uma temerária expedição por selvas fumarentas, desertos de asfalto e desfiladeiros coalhados de criminosos Neanderthal,  se chegar ao lago Hemorragia.

Aliás, só para o perfeito entendimento, são verdes as águas do Hemorragia, como o sangue Bombali.

Também não vamos nos estender sobre as inúmeras aventuras protagonizadas pelo nosso Kamikaze Joe, nem falaremos de suas vitórias, de sua notável habilidade no comando da pequena tropa dos Infantes Funerários. Calaremos mesmo sobre os boatos da bacanal ocorrida na tribo Neanderthal dos Espremedores-de-Urso, onde se ventilou ter Kamikaze se submetido à prática do fio-terra sagrado com a xamã Tectonpalmiraba.  Mais uma vez, o Kamikazion, etc., etc.

Kamikaze emitiu palavras desconexas, puxando as cobertas até seus pés, aflitivamente.

 

Mas tergivesamos. Voltemos ao lago Hemorragia onde se deu, assim nos contou Temujin Pancho, a perigosa entrevista com as carpideiras reais, as Sereias de Ébano.

Foi na ilhota situada no centro do lago, donde se avistavam as cariátides do templo de São Pancrácio de Bombaluria. As águas repletas de magníficos corpos cor de breu.

Elas aguardaram até Kamikaze chegar a beira d´água, a comitiva esperando mais atrás, em tensa expectativa. É sabido que a entrevista é crucial para o bom andamento dos enterros reais, e mais de um reinado acabou em desgraça, no mais completo caos, ante uma falha de um líder de comitiva.

Acresce que era estrangeiro, Kamikaze, pouco versado na complicada etiqueta de morte bombali. Acresce que as sereias de ébano costumavam devorar aos líderes ineptos.

O psicopompo da comitiva aproximou-se e entregou a nosso herói o Penico Doirado, símbolo daquela tarefa santa, ainda contendo as últimas fezes ressecadas da soberana morta.

Também se aproximou do herói a margravina das sereias, agarrando-se preguiçosamente  à pequena rocha conhecida como Parlatório.

Da cauda delfinídea até os brilhantes dreadlocks azuis, ela mediria uns bons metro e oitenta. E é claro, dava-se a notar os grandes seios desafiando a gravidade.

Kamikaze Joe roncava.

Temujin Pancho pintou quadro magnífico da cena, recheando-o de pompa cerimoniosa, tendas esplendorosas da mais pura seda, um psicopompo vetusto e digno em barbas de pura neve (na verdade banguela, vesgo e com tique nervoso nos cantos da boca), ainda que verdadeira  a parte da taurobolíade nua sob os efeitos de maconha-brava.

O diálogo entre Kamikaze e a margravina, emerso da pena algo fantasiosa de Pancho, é até hoje modelo de oratória nas universidades bombalis.

Na verdade se deram de forma mais simples os fatos.

“Qual o segredo do morcego?”, perguntou sem delongas a sereia.

Kamikaze segurou seu membro por cima das calças e improvisou uma careta plena de safadeza.

“É isso aqui no teu rego!”.

Uma insinuação de sorriso e uma nova pergunta.

“Conhece o Mário?”.

“É o primo do meu caralho!”.

“A rosa no cume nasce?”. E a sereia bateu com a cauda agitando verdes águas.

“Quer alho?”, ripostou de pronto nosso galante Kamikaze.

A sereia começou a nadar, pensativamente. E de chofre proferiu o terrível Koan.

“Barafunda?”.

“Cú ou bunda!”, disse o herói, algo malicioso.

Passaram-se intermináveis minutos.

“Tá, pode mandar a véia…”, e mais não disse a sereia.

Durante o traslado do féretro, Kamikaze e a margravina das sereias de ébano dividiram, preguiçosos, uma garrafa de um raríssimo Conhaque Padre Cícero, Gran Reserva, retrogosto de asfalto.

Kamikaze Joe abriu os olhos.

CALSE: a sugestão do “chef” para hoje

Sinceramente, não achei a autoria. Aberto a penitências com silício e cinzas e/ou a evntuais retificações ou pedidos de perdão

Sinceramente, não achei a autoria. Aberto a penitências com cilício e cinzas e/ou a eventuais retificações ou pedidos de perdão

http://calse.wordpress.com/.

Anote, vá lá e veja. Descobri dia desses o blog e não sei sinceramente a que veio o Eldas, o blogueiro. Mas recomendo uma visita e uma vista d´olhos nos textos, sempre caóticos, sem nenhuma preocupação com estilo ou quejandos. Mas, tem alguma coisa ali. Não sei o que é, mas tem. No meio da coisa toda, vez por outra, tem umas sacadas, talvez que lisérgicas ou sob o efeito de substância exótica outra. Mas estão lá. Vejam lá, irmãs e irmãos e comentem comigo, dividam comigo.

É a sugestão do “chef” prá hoje. O blog do herbonauta. O caos embalado em papel de bala.

http://calse.wordpress.com/

É isso.

O HOMEM CORDIAL

We're All Mad Here - The Chesire Cat - by Nicky Barkla

We’re All Mad Here – The Chesire Cat – by Nicky Barkla

O receio, o cagaço fizeram de Plácido Aquila Valdez um tipo único. Era um covarde profissional.

Minto, Plácido Aquila Valdez? Não, não mente em absoluto. Sou um covarde, mas detestando o amadorismo como sempre detestei, profissionalizei-me, por assim dizer.

E assim era, por assim dito. Um homem que se retratava a si próprio sem pudores, que dizia o queria sem rodeios pastosos, dando uma clara e imediata ideia de sua personalidade torpe, rasteira, carente de heroísmos e com valores os mais egocêntricos possíveis. Plácido Aquila Valdez viveu toda esta vida indigna com paixão, como um verme eternamente satisfeito em parasitar seus semelhantes.

Minto, Plácido Aquila Valdez? Não, não mente. Me sento com desfaçatez entre os comensais, bisbilhoto suas vidas, os chantageio quando posso, os cubro de elogios falsos se me é útil. E, se me dado fosse me ver de fora, como a um estranho, vomitaria.

Plácido Aquila Valdez elogiava à covardia de forma franca e aberta. Dê-nos um exemplo, Plácido Aquila Valdez! Ora, fácil, quem, me diga, quem se não o poltrão, o pusilâmine poderia ter inventado a estratégia militar? Os valentes são burros demais para qualquer coisa que não marchar à frente da tropa e morrer bem ali, nas linhas de frente.

Plácido Aquila Valdez acreditava também que todos, todos eram, somos, basicamente covardes. Definia a valentia como um atropelo de hormônios gerados pelo medo nos mentecaptos, que lhes dava breves espasmos furiosos. Mas desordenados, convulsivos, unilaterais. Um gozo ordinário, só acessível às alimárias.

É assim mesmo, Plácido Aquila Valdez?

Certamente, uma questão evolutiva. Somente os covardes da espécie prosperam. Infelizmente, se não temos mais valentes, ai de nós, temos ainda os imbecis ensandecidos e a valentia ainda é considerada uma virtude.

Plácido Aquila Valdez desconfiava de santos e moralistas. Mas desconfiava mais ainda de suas criações, principalmente da Tragédia com seus destinos singulares e prodigiosos.

Nos esclareça, Plácido Aquila Valdez!

Esclareço, dou a luz. Notem, quer se trate de Édipo, quer se trate de Hamlet, é sempre o resultado de uma conjunção extraordinária de eventos espantosos. Nenhum deles é figura acessória, mas necessária. Não existe universo exterior, existem ondas de acontecimentos orbitando sua vidas e suas vidas vão extrapolando, absorvendo, fazendo convergir e por fim destroem. Hamlet teria feito melhor se dedicando a uma vida de fodelança com Ofélia e, como bonus, ainda teria Polônio com quem implicar.

Édipo hoje (época de covardes por excelência) escreveria o livro, um mea culpa prontinho para as telas de cinema.

Você é cruel, Plácido Aquila Valdez!

E faço cocô ao ar livre, também.

Foder, comer, foder de novo, broxar, comer, amar.

Jesus Returns - Kleverton Monteiro

Jesus Returns – Kleverton Monteiro

Foder, comer, foder de novo, broxar, comer, amar. A vida é mais que isso e o mundo é um emaranhado de mistérios não revelados. Ainda. Sigam-me.

É uma bola a terra, redonda.

Uma bola de excremento, pensavam os egípcios, rolada por um escaravelho por toda a eternidade.

Ou uma placa redonda, sustentada por quatro elefantes apoiados no dorso de uma tartaruga descomunal, como sói pensavam os criativos chineses.

Enganados todos estavam em um ou outro detalhe, pois somente a mim foi dada a oportunidade de conferir as coisas de fora, com vista privilegiada, concessão que me fez o Altíssimo.

“Se eu puder falar com Deus”. Besteira, eu falo. Todo o tempo. Deus e eu somos assim, ó, muito chegados. Ele fala, eu escuto. Eu argumento, ele faz milagres. Eu subo o monte, ele providencia as nuvens.

Moisés, todos os que leram o Livro Santo sabem, também privou com o Todo-Poderoso. Feito eu, Moisés faz parte de uma confraria de poucos, de papeadores com o divino. Mas Moisés teve privilégios que não tenho, claro. Via Deus, não só falava com o Senhor das esferas. Teve mesmo a honra de ver ao traseiro de Javé, confiram lá no Êxodo 33:20-23.

 E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.

E então, Deus. Ainda na infância sentia sua presença e depois de algum tempo, sua voz. Me dando conselhos, me soprando as respostas erradas nas provas de matemáticas, me moldando que Deus é dos que fazem isso: sempre mexendo no barro humano.

E então Deus, chapa meu, me fez este mimo, de mostrar o real, a Terra vista ao alto. Bondoso que sou, transmito a vós, povo de dura cerviz, o que aprendi em visão a mim proporcionada. Em high-definition, aliás. Então lá vai:

A Terra não é redonda, é plana, como todo mundo sempre suspeita mas tem vergonha de falar prá que não pensem que é uma anta. Esqueçam a conquista da Lua, foi tudo feito em estúdio. Aliás, com Stanley Kubrick dirigindo a coisa toda. Segredo que ele levou para o túmulo, ajudado, claro, pelas constantes ameaças que recebia do serviço secreto americano.

Não existem outros planetas e nem outras estrelas, Deus colocou aquelas luzinhas lá em cima para confundir a nós, néscios. Telescópios, astronomia? A irrelevância das irrelevâncias.

Evolução? Piada. Deus criou o mundo do nada e, só prá sacanear, criou os fósseis de dinossauros, australopitecos, neandertais e preguiças gigantes que nunca existiram[i]. Há mais ou menos uns seis mil anos[ii], para não ser exato.

Concepção? Nada de espermatozoides e óvulos, esta a vera verdade verdadeira e veraz. Deus, o Altíssimo, ouviram?, ele é que anima e dá forma ao gérmen da vida.

Agora, Inferno, Purgatório, Limbo, realidades são, como já nos tinham informado Dante Alighieri e Vergílio.

Que mais me disse Deus? Coisas. Deus me disse e me diz muitas coisas, além de excelente cantor, Deus, arrasando na interpretação de Bohemian Rhapsody. E fazendo todas as vozes. Deus é Queen, digo, cool.

Foder, comer, foder de novo, broxar, comer, amar. Bem, Deus foi taxativo. Pecados são. Tudo bem, perguntei a Deus a causa de sua preocupação excessiva com nossas fodelanças e nossa gula, coisas tão comezinhas em relação a sua grandeza.

“Nada escapa ao meu olhar”, disse-me Deus, o Voyeur das Alturas, pontuando tudo com uns trovões e raios. Calei-me, claro. Vou lá eu encher ao Saco Divino com tais questiúnculas?

Ah, Adão não tinha umbigo

E finalmente, todos foram e estão sendo enganados: o rádio não existe, mesmo o modelo digital novinho no seu carro. Tem um hominho lá dentro.


[i] Philip Henry Gosse, naturalista inglês, publicou em 1857 o seu  Omphalos, onde postula exatamente isto, a saber: Deus criou os animais já adultos, as árvores já crescidas (as sequoias, inclusive) e, mais importante, os fósseis e as camadas geológicas indicando datas de milhões de anos.

[ii] Como já tinha calculado James Ussher, bispo de Armagh.

FRASES EXTRAÍDAS EM MOMENTO DE LESEIRA DIRETAMENTE DO CELESTIAL BANHEIRO DOS DEUSES

Zen Duck - by Loopydave

Zen Duck – by Loopydave

Bem, de volta aos aforismos. Claro, podemos estar sendo um tanto pretensiosos, daí mudaremos: vamos às frases de, digamos, sanitário. Não é o melhor do espírito humano, mas é humano.

Salve!

O que é o amor? Bem, de uma coisa eu sei: não vem em garrafa.

 

Somente eu, eu mesmo, este homem simples aqui, sei onde está o amor. Na terceira prateleira, de baixo prá cima, ao lado da farinha de mandioca e da carne de sol.

 

Só o amor constrói. Agora, não vá sair por aí se apaixonando por qualquer pedreiro!

 

E as mulheres? O que dizer das mulheres? Bom, meu conselho é que se deixe em paz as mulheres. Mulherando, como sempre mulheraram desde o início dos tempos. Somente uma mulher pode mulherar.

 

De uma vez por todas! O mundo não é dos espertos, O MUNDO É MEU!!!! Só meu! Minha propriedade! Espero ter sido claro.

 

Uma sexta-feira é tipassim uma antecipação de bimbada. Já o sábado pode ser um orgasmo ou, mais naturalmente, uma broxada básica.

 

Isso, me irritem, que uma hora eu me mudo prá São Paulo e nunca mais volto pro Brasil.

 

Eu sou inteligentíssimo, tu de vez quando acertas, ele nunca me enganou, nós de tudo sabemos, vós sois um imbecil e eles só votam nas pessoas erradas.

 

O problema não é o “gigante acordar”. Problema mesmo é o café da manhã demorado, a base de brioches, sucos naturais diversos, fiambres finíssimos, melões importados dos nevoentos vales da Indonésia, os pães de centeio importado da Capadócia e as geleias de frutas do bosque feitas artesanalmente por freiras belgas. Depois sim, o gigante acordado, pode-se ir à praça se manifestar. E a praça é do povo como o céu é daquele rapinante andino lá que eu esqueci o nome.

 

Eu estou certo, tu estás errado, ele se equivoca sempre, nós as vezes erramos, vós sois um alienado e eles não entenderam nada.

 

Eu protesto, tu não sabes o que fazes, ele não estava lá, nós nos manifestamos, vós estais no lado errado e eles estão nos corrompendo.

 

Eu Dilmo, tu Dilmas, ele Dilma, nós Dilmamos, vós Dilmais, eles ainda não decidiram…

 

Quatro cascos não fazem um cavalo. Mas ajudam.

 

Cuspa no prato que comeu, mas seja educado: cuspa fazendo um biquinho.

 

Nada mais burro que uma frase inteligente. Falar abrobrinha exige arte.

 

Foda-se o mundo? Claro que não! Foda-se muito o mundo? Fora de questão! Um foda-se merece mais atenção que homilia de papa e sermão de pastor. Um foda-se é uma ponte ligando o bico do seu sapato ao traseiro da bundamolência cósmica! Um foda-se é um ato de fé. Nem tudo e todos merecem o nosso foda-se. Um foda-se é para ser tratado com carinho. Foda-se!!!

 

É constrangedor, disse o vampiro católico, mas rápido, tragam-me uma hóstia…

 

O dia começa, amanhecendo. Entretanto, ao anoitecer é noite já.

 

Palavras da Salvação: urna, cibório e bestunto. Doidivanas, sassafrás, perobo. Serôdio, quimbanda, paredro. Hidroquinona, madeiro, inconsútil. Cona, subilatório, merdeiro. Ferrabraz, esponsal, himeneu. Peripatética, testículo, trompa. Plenilúnio, solstício, pletora. Patranha, pudica, hetaíra. Parquetina, mirra, poliflor. Amém.

 

E aí o sujeito morre, vai pro Nosso Lar ou pro Umbral (onde todo mundo se dá mal) ou pro céu ou pro paraíso com cem virgens a disposição ou pro inferno ou vai pros Felizes Campos de Caça ou prá terra de Maivotsinim ou prá terra de Macunáima ou pro Lar dos Cinco Abençoados Imortais ou prá a Terra de Takeuspa. Não importa. O que importa é a pessoinha ter etiqueta, ser fina, quando morrer deve ficar morta, imóvel, tipo assim um cadáver do bem. Boas maneiras são tudo, até no pós-vida. E é isso que eu tinha prá falar a respeito da morte…

 

Sábio é o proxeneta que não cafetina, o ludopedista pouco chegado em bolas, o parlapatão que não é um palhaço. Enfim, sábio é o apedeuta que não escreve malediscências.

 

A perseguida da perseguida política é tão perseguida quanto a perseguida da eventual perseguidora. O que nos ensina muito sobre perseguidas, embora nada sobre a política.

 

O sonho de meu coração é morrer como um velho sibarita, desfrutando das lembranças de um passado de pecados ignominiosos e continuando a pecar como sói peca um velho sibarita: do jeito que dá.

 

Tudo é algo. Atentem bem para a profundidade da frase: tudo é algo. Mas tudo cala frente ao bruto fato de que ninguém é alguém.