E CHEGA O SONO, A MORTE-LEOPARDA

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Goya – Frame extraído do filme

O humano, o bípede pensante, é de uma só cor. Azul intensa, meio verdolenga, com toques rubros, nuances de laranja e lilás. Mas brilhante, sedosa, vívida é a cor do humano que caminha, pensa e digita. A alma não, é transparente e acho que nem existe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

leopardus

José, José, José, José sabe que morreu e não se importa. Ou. José morreu. Só. Mas já que morreu tudo é desimportante, assombrosamente irrelevante. Nada significa, nada acrescenta e nada merece uma segunda olhada, nem as árvores pojadas de meninas azuis, nem os almofadados braços da Morte em revista à tropa de mortos, nem os sonhos azuis da mãe de José que passam como por acaso. Nem.

Morto e bem morto, José agora é o sal da terra e toda a paisagem do pós-vida é uma tarde de inverno. E há sol e janelas suspensas.

José olha para um horizonte inventado e cogita visitar Teópolis amuralhada, lugar de pequenos e grandes deuses.

Teme ou não teme o quem vem depois e temeria mais se soubesse que nada viria. Mas já que morreu.

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