SOBRE O TEMPO E SOBRE TEMPOS

 

 

 

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Mida´s daughter – by Radoslawsass-d84wwg1SS / DeviantArt

 

 

deste mundo nada sei, sei nada não, sou o que nunca

Verdade verdadinha, nada atino sobre o tempo

Sei só que é escroto o tempo em cada canto,

E que a tarefa mais dileta que o tempo funda

É fazer minorar o tempo e o mundo e o pranto

 

Já não relembro mais Robertos Carlos, nem Gonzagas

Mas relembro que o tempo é um cu, caso acabado

Ou talvez seja só o tempo um consolo mal acomodado

Todo caso não está em nossas mãos, o tempo e o fado

 

E é sempre bom mandar o tempo, nosso namorado,

É sempre bom mandar o tempo, nosso amante, às favas.

 

 

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Breves considerações sobre a jucunda arte de poetar, assim, a modo internético e fugaz

Iridescências

Iridescências – by Voador

 

 

Rapáizi!

(assim é que os nordestinos se referem a alguém, quando admirados e eu sempre gostei deste “rapáizi!” lá deles. Muito melhor que um “rapaz”.)

Mas, rapáizi!

A coisa é que eu vejo muito dos poetamentos do povo aí na rede. Uns poetam pra dentro, outros poetam em torno do umbigo, o que acaba dificultando e tornando pesada a coisa. Às vezes.

Uns poetam pra cima e somem num zum e aí eu fico aqui embaixo tentando localizar o bólido.

E tem os que poetam pra baixo.

De qualquer maneira, pra dentro ou pra baixo. Prá riba ou pro umbigo, você percebe quando encontraram seu eixo de poetamento. Não tem muito a ver com o texto, nem com a honestidade (que muitos são honestos), tem a ver com o dom de poetar que é uma coisa que se sente.

Mas, rapáizi!

As vezes não consigo achar um rumo, mas sinto um ritmo. Leio e penso: é, a rede acontece e, interneticamente solenes, encontramos aos novos poetas.

Ah, faço questão de mostrar minha gema, meu capitão. E, desculpe, falei que é minha mas né minha não, garimpei:

A solidão acontece a céu aberto.

Claro está que a roubei (Você releve meus hábitos malsãos, Mariana, a Gouveia).

E eu acho que é tudo o que eu tinha a dizer sobre a nova poesia e a internet.

Abraço, povo meu.