SOBRE O TEMPO E SOBRE TEMPOS

 

 

 

midas_s_daughter_by_radoslawsass-d84wwg1

Mida´s daughter – by Radoslawsass-d84wwg1SS / DeviantArt

 

 

deste mundo nada sei, sei nada não, sou o que nunca

Verdade verdadinha, nada atino sobre o tempo

Sei só que é escroto o tempo em cada canto,

E que a tarefa mais dileta que o tempo funda

É fazer minorar o tempo e o mundo e o pranto

 

Já não relembro mais Robertos Carlos, nem Gonzagas

Mas relembro que o tempo é um cu, caso acabado

Ou talvez seja só o tempo um consolo mal acomodado

Todo caso não está em nossas mãos, o tempo e o fado

 

E é sempre bom mandar o tempo, nosso namorado,

É sempre bom mandar o tempo, nosso amante, às favas.

 

 

Anúncios

POEMETO PARA DEPOIS DA CHUVA (Para ser declamado por um homem nu a uma mulher nua)

 

main

 

 

Eu nem mesmo entendo o que é vida

Mas tenho a mulher que é minha

e a vida e a  chuva

E tenho minhas dúvidas, frias, e a chuva

 

E tenho minha vida, meu governo e suas culpas

E as rimas pobres que rimam morte com sorte

E tenho a sombra pequenina e sombria

E as rimas de estar só com o pó e a terra fria

 

Só, como quem compõe uma canção,

Como quem lamenta estar só e comenta como aporte

Como quem ruge contra o tempo e a sorte

Como quem coleciona momentos, sem métrica

 

Tudo o que abarca a infinitude geométrica

 

Como quem insiste em remar contra o tempo

Rimando quando ninguém mais rima, a paz ascética

Diferentemente de augusto, o dos anjos, de quem roubo

Uns e outros, inda que breves, os vãos momentos

 

Combinando palavra com palavra como quem

coleciona aos todos eles, sim, aos sentimentos

Como quem conspira, puto e terno, contra o tempo

E quando acabar o mundo e não houver mais tempo

 

Cantará sobre mariposas e seios e mais além

E discorrerá sobre corpos de mulheres nuas

Por serem belos os corpos de mulheres nuas

E só porque, só porque, seios cheiram bem

 

 

POEMETO II SEM MÉTRICA (para se ouvir ao som de “o último tango em Vila Parisi”)

death-and-the-maiden-lo-res

O mundo do mais estranho, a caixa de pandora,

O tremedal do medo, o caos, a tunda

Nada mais será do que preâmbulo, moda

Onde todos baixam as cabeças e erguem a bunda

Feito assim um Brasil, desses aí, à roda

Feito um Brasil, assim, um macambúzio

Como se um babalaô cantasse

A predição adormecida no interior do búzio

Ó tempos, ó estações, ó descalabro

Onde todos os animais que peidam

onde todo Jesus que é babujado

Onde o quadrilátero dos sicofantas

Onde todos os profetas com cajado

Prosperam, escrevem, arrotam, beijam

Ai, eis que me ufano destas plantas

Pois temos nesta terra os fortes cus

Mui penetrados, uns sangrando, uns

As pregas excitadas e retráteis, de truz

Ó meu país, o mundo…o mundo

Ó rosa dos ventos, ó meu pão sírio

Aqui deste lado é mundo e é escuro

Mesmo assim, até por isso, contudo

POEMETO 1

Orisha Iansan - by Marhiao - Deviantart

Orisha Iansan – by Marhiao – Deviantart

 

ORIXÁ TAMBÉM É GENTE, SINHÁ

Sempre tive a esperança

De um dia chegar o bom ano

de ter um despacho de rico

disse o orixá aflito

fumando um charuto baiano

de ter espumante famoso

e não sidra vagabunda

de ter um faisão saboroso

e não frango de macumba