Sobre o Tchum, o Tuim, o Punctum e o Studium

Rustavi_Georgia_1972

Rustavi – Georgia – 1972 By Henri Cartier-Bresson

 

 

Roland Barthes ganhava o seu pão pensando. Em seu livro A Câmara Clara, reuniu uma série de seus pensamentos (seu ganha-pão, lembrem), as suas impressões sobre a fotografia.

Dizia ele (ou escrevia) que via, percebia duas instâncias na fotografia, a que batizou de Studium e Punctum. O primeiro trazia ao receptor um sentimento de coesão estética como resposta, um gosto satisfeito, uma redondez feita de afeto.

No entanto, outras fotografias tinham em si a qualidade de gerarem o Punctum, traziam algo de imediato, que se destacava da imagem, nos atingindo bem aqui.

Studium é latim para estudo, no sentido de apreensão de algo. Uma apreensão composta, de inteireza. Punctum, ainda o latim, por outro lado, denota uma “picada”, um flash que salta para nós e em nós.

Em tal sentido uma fotografia primorosamente composta não necessariamente gerará o punctum. Tampouco uma fotografia de momento, grosseira. Mas tanto uma como outra podendo fazer sentir no receptor esta sensação, do espanto, que pode nos comover ou nos aterrorizar ou nos surpreender.

Ouso extrapolar que esta sensação que salta e nos assalta pode advir, também, de outras fontes. O cinema, por exemplo. Um filme qualquer (falo do filme como um todo, orgânico. Fotografia, continuidade, som, roteiro), um que se nos venha por acaso ou por escolha de o assistir e que pode nos trazer este momento único, de estase, de suspensão, onde a dor da picada nos dói sem que tenhamos qualquer ideia da picada, da dor ou mesmo do porquê daquele espanto único, encapsulado em um momento.

Independente de qual seja o filme, de sua conformação, de sua qualidade.

E a poesia, o teatro. O texto em si, todas estas e outras pequenas magias.

Daí que neste mesmo espaço aqui, o blogue, já comentei sobre o principal elemento que confere legitimidade a qualquer obra. A honestidade com que foi feita. Todos compartilhamos esta sensação, esta capacidade de sentir, de saber dizer se a coisa foi feita com trabalho árduo e culhões ou se foi só fita, perfumaria barata.

Ouvimos à música, vemos a dança e…tchum, sabemos. Independente da cor de nosso couro, da qualidade de nosso cérebro e de qualquer divindade que prezemos. É assim, feito um chute, é um tuim, um baque nos bofes.

Certo, começou com punctum e studium e acabou com tchum e tuim. No caso, tchum e tuim tem a ver com o punctum.

O studium tem mais a ver com eita, não tá mal, mas não fique se achando, não.

Minha lista de obras dispensadoras de tuim, desculpem, punctum, é variegada e irregular, não é uma senoide, tá mais para um gráfico de terremotos.

Exempli gratia. No Assim falava Zaratustra, de Nietsche, punctum. No Como Tem Zé na Paraíba, de Jackson do Pandeiro, também. Já o Ulisses, de Joyce, não. Pretensioso.

Na Lua Não Há, de Roberto Carlos, um rhytm and blues um pouco mais acelerado e com as síncopas atenuadas. Tuim/punctum do bom.

E Grande Sertão: Veredas. Sá Marica Parteira. Funiculì, funiculà!, que, aliás, foi composta para fins publicitários. Algumas fotografias de Henri Cartier-Bresson.

E descendo ao paroquialismo: a campanha ascendente e vitoriosa do Corinthians, ascendendo da segunda divisão até o mundial de 2012, anno mirabilis.

Mas aí já estarei falando de absolutos, de epifanias.

Perdão peço.

Sobre Karl Marx e as damas

PANTERO

E é soberana a vida, talvez como Deus ?

E este tempo. Este tempo, ó. E outro ó. E um outro Ó em maiúscula, que o tempo pede, talvez exija.

O certo, o justo, é que já vivi tempos semelhantes, mas não iguais, que a história só se repete como..desculpem, velhos hábitos.

Hábitos de ler.

Me lembro que nos finais de setenta e começo dos oitentins me mandavam ler o Capital, do bom e velho Nick. O meu dileto Marx, que era um filho-da-puta, mas pensava. E como não deixavam que o lêssemos em tradução lusa (antes da coleção Pensadores, bem entendido), nos ofertavam edições em francês ou em espanhol.

Eu então era jovem e conspirava. E amava as mulheres e queria ser o melhor dos homens para as mulheres. Não, e sim…eu prometia tudo às mulheres. Lavarei vossas e nossas roupas, lavarei vossa e nossa louça e cuidarei de nossos eventuais..filhas e filhos.

Comecei com Marx e o tempo mas o mote supremo mesmo eram as damas. Elas estavam lá, gentis, mas não dúcteis e nem sequer tácteis. Mas estavam lá e eu as amava. Ainda as amo, embora hoje me restrinja, ponha em foco, somente uma, pois me tenho por fiel (somente a ti e a ti, Guinevére).

As damas. Todo o imaginário, todo o palco espiritual em que as mulheres prosperam, vicejam e criam. E fazem criar.

E me estranho com este tempo em que machos ameaçam mulheres, e tentando diminui-las, se encolhem, como uma ferida se reduz, a casca, depois a nada mais que um nódulo.

Tempos do oblívio. Esquecem que Isaac beijava a Rebeca no Jardim, esquecem que os homens só serão homens, fato de espanto e escândalo, quando beijarem suas mulheres à sombra de vergéis secretos?

Hábito de ler.

Meu pai lia a Bíblia.

Minha mãe citava, contava as histórias. Dos eclipses, das aparições de Deus. Da menininha Zabelê perdida em sua tapera tendo só sua cadelinha como amiga.

Os atentos acessem à Missa dos Escravos de Hermeto Pascoal (Youtube, ioutóba), onde verão o lindo mote já cantado por minha mãe: “Chama Zabelê, pá pudê ti conhecê”, magnificamente entoado por Flora Purim e coro.

Era a evocação da Besta que queria invadir a tapera, mas que foi detida pela inocência. De Zabelê, da cadelinha. Forças femininas em convulsão, em delírio controlado.

“Ela já comeu, ela já bebeu, já rezou seu Benditinho e agora vai deitar”, recitou a cadela. E a Besta, furiosa, mas domada, explodiu em nuvens de enxofre e fúria, ao mesmo tempo que a madastra malvada que exilara a Zabelê.

Deus é soberano, cantava minha mãe.

E esta minha mãe e aquele meu pai falavam da bondade. De bondade. E das histórias de meu pai e das canções de minha mãe aprendi pouco. Mas sempre e sempre e depois sempre mais outro sempre, aprendi que a beleza de amar é sempre a beleza de amar o que o tempo presente não ama.

E dizendo e escrevendo o que escrevi, quero que saibam que eu sempre fui de Quimbanda, das Esquerdas, e que nunca me preocupei ou me preocupo se perco amigos por isto.

E ainda sigo a estrada do sol e do fogo e ainda frequento a frágil e pequena capela da vida.

Amigas e amigos. Bravos cavaleiros e belas damas de peitos atrevidos, falei, espero, com destemor.

 

 

 

 

 

POEMETO DE INVERNO

DREAM WITH IT BY KANZO

DREAM WHIT IT – By Kanzo – DeviantArt

 

E toda esta tarde diante de mim, esta conversa

Este enredo feito de névoa e frialdade

Comparando mal, o dia e uma verdade

Me tem absorto, mudo e quedo ante à adversa

 

Existe a árvore enregelada, supõe-se a tarde

Existe meu cão e seu dorso em minha mão

A mais completa calma e a solidão

A planta e seu trabalho e a mansidão

 

A engenharia doce, o pelo contra a palma

A seiva paciente correndo no de dentro

E esta tarde em transe e todo caos e o alento

E toda a frialdade, o pelo contra a palma

 

Nem mesmo a planta, nem mesmo o mal

Nem mesmo o dia, considerando o caos

Nem mesmo o gato no telhado, nem mesmo o fado.

 

(mas há meu filho meu, sorridente, e há o tempo)

 

Ou a mulher gestando seus trabalhos

Nada aqui é ato falho ou findo

O verde aqui é gratuito e gratuito o dia

E me vem a graça e a tarde fria

 

E me vem a graça do dia tardo

E eu mesmo, apenas espantalho

E este meu sorriso e a alegria, o fim do dia

São tão pequenos, tênues, infinitozinhos

 

Que a tarde fria se torna um carinho

E nem mesmo Deus eu diviso ao largo

E nem mesmo o deus conversa comigo

A erva enregelada em seu sutil abrigo

 

Só sei que é calma a solidão em estase, a alma

A rima sutil e peregrina do caminho

 

Só sei que o sangue pulsa e ressalta a veia

Este dueto manso e ao abrigo, a areia

Tudo o que envolve esta conversa alheia

E a mansidão da tarde e a calma

 

Este estar sereno e rarefeito, um vinho

E minha mão que acaricia o dorso de meu cão

Vão chamar, isto eu sei, de solidão

 

E em solidão na tarde eu me basto

A planta, o chão, a tarde e a névoa

O tomilho, a arruda, o alecrim, a acelga

O respirar da erva, o mais suave hausto

 

Toda a plenitude que o frio entrega

Toda a fotossíntese em progresso e ato

Todo o ato

 

E o riso de meu filho e a mulher gestando

Os trabalhos e os dias,

Os pequenos atos

Perpetuamente o mundo se formando

 

Então e só então eu me permito a mão, o agora

O quando

Aquela mão que apalpa o galho e o chão

 

E só então me permito o mando

E só então eu me abandono ao ato

De me permitir um cão e um filho e um ato

De me deixar velar por esta tarde gélida

 

(tudo o que abarca esta tarde gélida)

 

me permitir velar pela mulher que gesta

E ao fim de tudo perceber a vida e a tarde

E ao fim de tudo conceber a vida e a névoa

Como convém a toda uma tarde honesta

 

A toda esta gesta…

 

 

humanidade

CAFE

 

Deus sabe do que é feito.

E eu também. Em verdade, Deus saber do que é feito é uma contradição em termos. Ora, Deus, certamente é a única instância que não tem que discutir o Ser. Deus é. David, nem tanto. Eu, menos ainda.

E no entanto…

O problema são os entrementes.

Sei que Deus não claudica, mas sei que toda tarde fria traz a frialdade necessária, o bom mote, para que sejamos um. Um.

Disse eu..Um. Disse Não?

Deveria ter dito.

Deus é paciência, escreveu Guimarães, o Rosa. Do mesmo modo entrevejo nos cantares de Mariana, a Gouveia, que cada vez mais admiro.

Sei lá, por que. Sabe-se lá por quanto.

Sei que labuto (Não labuta você também, boa amiga?)

Sei que sou indigno da oração.

E sei que é linda a trama da oração. Ia dizer da vida, mas me contive a tempo.

Modos que Deus…

Por causo de que, das veis, é bom que a gente escreva bobagem. Sólidas e quentes bobagens.

O ABRAÇO DE ESPERANÇA - PINTURA DE JOÃO TIMANE

O abraço de esperança – By João Timane

 

Tinha um outro “post” prontinho. Ia falar sobre as décimas na poesia e na música do Brasil em contraposição com as décimas na América Latina. Ia falar. Ia dizer.

Mas eis que um valor mais alto se alevantou (Obrigado, Camões).

Mas eis que.

Mas não, nunca, nunquísimamente nunca, tinha eu notícia de época como ess´agora. E olhem que sou idoso, já convivi com mamutes e privei com pássaros dodô.

Eis que.

Sempre soube que era contemporâneo de vermes. Entretanto, nunca me vi convidado a observar as entranhas dos vermes, a ver seus necrófagos lhes corroendo as entranhas, poeticamente, no devagar, no slow motion.

Jamais pensei em testemunhar ao fedor, exalando do de dentro de ternos curitibanos.

Agora sim, meu dou conta. Estou velho!

E.

Estranho como ainda consigo rir. Comunico a todos que agora pretendo tentar, de novo, reiniciar o diálogo, o conversê, as trocas de causos.

Por causo de que me vi jovem, me surpreendi mocim. Ainda capaz de puto ficar, indignado como um santo, como um messias xingando camelôs às portas do templo.

Causo que no sétimo dia Deus descansou por ter visto que era boa a sua obra e o descanso era homenagem ao que era bom, o primeiro exercício da humildade.

Causo de que sei.

Que é burro o mal.

Graças a Deus.

Escrevi com a tinta do coração.

Da leitura e outras obscenidades

Daniela Zekina

Autora da imagem: Daniela Zekina

 

E então eu saía de uma estação ferroviária e olhei prá moça, tão bonita, vestida no que eu suponho seja o estilo apurado padrão de classe média atual e lendo. Um livro, não uma revista. E lia a moça e lendo, mexia os lábios.

Sempre achei que a visão de alguém lendo e mexendo os lábios fosse coisa de, vamos ser corteses, pessoa sem muita intimidade com os livros, que dirá com o ato de ler.

Mas mexia os lábios a moça. E era uma moça bonita e vestia roupas bonitas. Talvez caras.

Razão prá surpresa nenhuma haveria de, já que matutando, depois, me lembrei de que já vira muitas outras pessoas do mesmo jeito e não necessariamente pessoas de aparência, vá lá, humilde.

Mas mexia os lábios a moça.

A coisa toda é que parti do pressuposto de que os leitores (nós, desta casta minguada e sempre minguante), bem, nós, os leitores, supunha, leríamos todos em silêncio, absorvendo as palavras sem nos darmos conta dos signos no papel.

Bobice. Grande. A leitura silenciosa é coisa historicamente recente. Santo Agostinho registrou no capítulo III de suas Confissões, fascinado, que seu mentor espiritual Ambrósio de Milão lia em silêncio: “No bem pouco tempo que lhe deixavam livre, dedicava-se a reparar as forças do corpo com o alimento necessário, ou as do espírito, com a leitura. Quando lia, seus olhos percorriam as páginas e seu espírito penetrava-lhes o sentido, mas sua voz e sua língua repousavam”.

A leitura em voz alta sempre foi a norma. Ler, aperceber-se dos signos, combiná-los e depois os declamar eram uma e só coisa: ler. Era uma atuação delineada, um processo, uma disciplina para dissociação do mundo e interiorização do leitor.

E Ambrósio, lendo silenciosamente, foi talvez o primeiro registro conhecido do que é hoje considerado corriqueiro, banal.

Mas mexia os lábios a moça. E lia um livro. E não era um livro de auto-ajuda ou espírita (perdoem-me os auto-ajudenses e os gasparettianos). Não, era um Maria Moura massudão e pesado.

A leitura era compartilhada. Agostinho refere leituras conjuntas de epístolas de Paulo, com seu amigo Alípio.

De se notar que o que hoje conhecemos por alfabeto tem uma longa história. No começo as pinturas em cavernas, em paredões rochosos, depois o desenvolvimento de sinais pictográficos, depois a associação de imagens com o som.

Os fenícios adaptaram o demótico egípcio para registrarem suas transações comerciais, mas quando tiveram que nomear ao signos que representassem os sons de sua língua utilizaram-se de imagens: o nome dado à letra que transmitisse a oclusiva glotal “ʔ”[i] foi ‘alp, boi, que passou ao hebraico como Aleph. Os gregos, que não tinham este fonema, utilizaram o signo para representar a vogal “a” e o chamaram de alfa.

E a imagem original da letra era o desenho de um boi. Inverta o nosso A maiúsculo e você verá os chifres e a cabeça do mesmo boi.

Mas eu falei que foram os fenícios, não? Mas no antesmente estavam os egípcios e seus hieróglifos, ou os acadianos e seus cuneiformes. O alfabeto era exclusivo da classe sacerdotal e era sagrado. Natural, com ele se descrevia e se perenizava o sagrado. Um milagre em si.

As simplificações, os demóticos, vieram depois e foram outra revolução: a utilização do alfabeto para o registro mundano.

Sendo, como era, uma ferramenta exclusiva e de exclusivos, natural que o alfabeto fosse objeto de fetiche. O ato de ler era exclusivo, marcado, para poucos.

Toda a história do cristianismo, por exemplo, foi uma longa sucessão de fiéis analfabetos cujo único instrumento de doutrinação eram os mosaicos e mais adiante os vitrais. A leitura era província dos prelados.

Paulo epistolou aos letrados das igrejas para que lessem para as massas. Em voz alta, escandida, sacramental.

E aí rolaram os tempos, depois as cabeças na Revolução Francesa e nasceu o conceito da escola universal. Alfabetização em massa. Recentíssimo.

Tão recente que os velhos hábitos perduram. Be-abá, a; ce-o-có, c; de-o-dó, d. E temos ainda a visão de nossos velhos, compenetrados, lendo em voz alta. Hoje. Ou mexendo os lábios como a moça que mexia os lábios que vi. Eu, que leio silenciosamente.

Mas mexia os lábios a moça.

O ato de ler ainda está em processo. De.

É o que acho. Eu, que leio silenciosamente feito Santo Ambrósio.


[i] Bonito não? Oclusiva glotal. Posso morrer tranquilo: oclusiva glotal. Ah, o ʔ é símbolo do Alfabeto Fonético Internacional.

Por que não eu?

 

Instigado por um artigo de Bráulio Tavares com uma tentativa dele de tradução de “In my Craft or Sullen Art”, de Dylan Thomas, resolvi cometer meus próprios erros. Segue:

 

Aliás, o artigo pode ser cotejado aqui: http://mundofantasmo.blogspot.com/2019/04/4459-em-meu-oficio-ou-arte-soturna.html

 

Thomas_Dylan600

Dylan Thomas

In my craft or sullen art

Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms,
I labour by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages
But for the common wages
Of their most secret heart.

Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages
Nor for the towering dead
With their nightingales and psalms
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages
Nor heed my craft or art.

 

Em meu ofício ou arte sombria

Em noite plena ainda exercido

onde a única fúria que vem, vem da lua

e onde amantes à cama estão tidos

todas as tristezas prenhes em seus braços,

e Elaboro meu fito cantando desta luz

Não por pão meu ou ambição minha

E nem por presunção ou comércio de magias

E nem do marfim dos palcos

Mas para os mínimos salários

em seu coração mas íntimo

 

E nem para o homem orgulhoso ao largo

É da furiosa lua que falo

Nestas páginas feitas de ondas e espumas

Tampouco para altissonantes mortos

Com todos seus rouxinóis e salmos

é para os amantes e seus braços que falo

Enredados nas aflições de seus dias

A quem não se paga elogio ou salários

A quem não se dão pagamento ou elogios

Destes meu ofício e arte não fiam